Oliver Stone mostra seu segundo documentário sobre Fidel Castro

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Publicado segunda-feira, 20 de setembro de 2004 as 14:45, por: cdb

O cineasta norte-americano Oliver Stone fez no Festival de San Sebastián a estréia mundial de seu segundo documentário sobre o presidente de Cuba, Fidel Castro, chamado “Looking for Fidel”. Ele filmou há quatro anos “Comandante”, que não chegou a ser exibido nos Estados Unidos e que foi classificado de “amável” com o sistema castrista.

Com “Looking for Fidel” (Procurando Fidel), Oliver Stone volta a Havana para realizar uma segunda aproximação, mais agressiva, à controvertida figura de Fidel, depois das prisões e execuções em 2003 de vários dissidentes políticos na ilha. O fato criou uma nova crise entre Cuba e comunidade internacional, que condenou a atitude do país.

“Fidel é um grande anfitrião. Olha diretamente nos olhos. Me deu a impressão de que confiava em mim, e gostei disso”, disse no sábado Stone sobre a postura do presidente cubano durante as entrevistas.

O filme é resultado de mais de 30 horas de conversas com o presidente cubano, que foi entrevistado por Stone de forma aberta e sem reservas sobre os conflitos internos do país, o futuro do sistema em Fidel e sobre a pressão internacional em Cuba, especialmente do governo do presidente dos EUA, George W. Bush.

“É um dos homens mais sábios, é um sobrevivente e um Quixote. Admiro sua revolução, sua fé em si e sua honestidade”, disse o diretor de Nova York.

O autor de filmes premiados, como “Nascido em 4 de julho” e “Platoon”, acha que Fidel é um “dinossauro que defende ideais antigos”.

O filme tem também testemunhos de dissidentes e chega a confrontar o comandante com vários dos condenados por dissidência, no momento mais tenso do documentário, em que acontece uma conversa insólita e inédita sobre a realidade cubana.

“Esta foi a parte mais difícil do documentário. Fidel não negou, mas não entendia por que dar espaço aos dissidentes. ‘Acho que vocês vão endeusar gente que não merece’, disse”, contou Alvaro Longoria, um dos produtores do documentário.

Stone também joga luz sobre as especulações em torno da saúde de Fidel e submete o presidente a um exame médico na frente das câmeras. “Me declaro saudável”, exclamou Fidel depois dos exames.

Oliver Stone, de 58 anos, é grande crítico de Bush. Ele não defende o sistema de Fidel, mas acha que a situação de Cuba é bem melhor do que em outros países da América Latina e acha que os EUA têm muito a ver com a “deprimente situação política contemporânea”.

“Terrorismo…? Quem começou com isso? Nos Estados Unidos estamos promovendo o terrorismo há 30 anos”, disse o cineasta.

“O problema (sobre a cultura nos EUA) é muito maior (que a censura aos seus filmes). Tem a ver com um sistema que promove a ignorância”, disse Stone, que atualmente retoma a narrativa com a ficção “Alejandro”, protagonizada por Collin Farrell.