Oferta da CSN fracassa com apoio de 8,56% das ações

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Publicado terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 as 10:27, por: cdb

A Companhia Siderúrgica Nacional fracassou em sua oferta de compra de participação na Cimentos de Portugal, o que fazia as ações da cimenteira portuguesa recuarem mais de 4% nesta terça-feira.

A CSN recebeu intenções de venda por parte de acionistas representativos de apenas 8,56 % do capital da companhia europeia, não atingindo o patamar mínimo de pelo menos um terço do capital da Cimpor mais uma ação.

Assim, a oferta da CSN ficou sem efeito e a CSN não comprou qualquer ação, informa a Nyse Euronext em comunicado ao mercado português.

Representantes da CSN não estavam imediatamente disponíveis para comentar o assunto.

– As ações da Cimpor estão caindo devido ao fracasso da OPA. Ainda podem descer mais um pouco, mas é duvidoso que corrijam muito, pois a Votorantim e a Camargo Corrêa mantêm o interesse na empresa e falta saber se a CSN desiste mesmo –, disse um dealer que não quis ser identificado.

A CSN se dispunha a pagar 6,18 euros por ação da Cimpor. Às 8h10, as ações da cimenteira exibiam queda de 5,36%, cotadas a 5,539 euros.

Originalmente, quando lançou sua oferta em meados de dezembro, a CSN propôs pagar 5,75 euros por ação da Cimpor, condicionando o sucesso da operação à compra de ações representativas de 50% mais uma ação da empresa europeia.

Tanto a oferta de 5,75 euros como a revisada foram rejeitadas pelo conselho de administração da Cimpor.

O sucesso da oferta da CSN foi inviabilizado após Votorantin e Camargo Corrêa terem respondido à investida da estreante no mercado de cimentos comprando agressivamente participações relevantes do capital da maior empresa do setor de Portugal e terceira maior do Brasil.  

A Camargo Corrêa comprou 31 % da Cimpor e a Votorantim, maior produtora de cimento do Brasil com participação de cerca de 40 %, adquiriu outros 21,2% e fez um acordo para travar os 9,6 % da estatal Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Os acionistas restantes da Cimpor são o empresário Manuel Fino, com 10,7% da empresa, e o Fundo de Pensões do Millennium bcp com 10%. As ações da companhia no mercado representam menos de 20% do total.

– Olhando para o futuro, a Cimpor ainda mantém um ângulo especulativo –, disse Rita Carles, analista do Banif, que tem uma recomendação de compra e preço-alvo de 6,15 euros para a Cimpor.

Ela acrescentou que “no curto prazo, as ações da Cimpor podem corrigir um pouco, com a confirmação do insucesso da OPA, mas, se a CSN vier a confirmar que mantém interesse, irá suportar as ações da Cimpor”.

A CSN recorreu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para sustar no Brasil os efeitos dos acordos acionários acertados por Votorantim e Camargo Corrêa. O grupo siderúrgico iniciou sua primeira operação comercial de cimento no país em meados do ano passado, em Volta Redonda (RJ).

Segundo a queixa da CSN ao Cade, a união de Votorantim e Cimpor no mercado brasileiro implicaria “concentrações graves” entre 60 e 80%, sobretudo no Nordeste, Centro-Oeste e Sul do país.

A Secretaria de Direito Econômico (SDE) recomendou ao órgão medida para evitar mudanças no setor de cimento brasileiro ao identificar potencial grave de lesão à concorrência no país. A SDE ainda investiga suposta formação de cartel na indústria de cimento nacional.