OEA pede proteção para denunciantes de grupo de extermínio

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Publicado segunda-feira, 10 de dezembro de 2001 as 23:17, por: cdb

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) pediu providências ao governo brasileiro para garantir a vida de um delegado e de um ativista de defesa dos direitos humanos de Natal, que denunciaram um grupo de extermínio formado por policiais, conhecido como Meninos de Ouro.

O pedido da OEA foi anunciado nesta segunda-feira, no aniversário de 53 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, na Assembléia de São Paulo. Acompanhado do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa, Renato Simões (PT), o diretor da Justiça Global Direitos Humanos e Justiça Social, James Louis Cavallaro, apresentou uma fita na qual uma pessoa alerta o delegado Plácido Medeiros de Souza de que ele pode ser morto a qualquer momento.

O delegado investigou a participação do policial Jorge Luiz Fernandes, o Jorge Abafador, na morte do advogado Gilson Nogueira Carvalho, em 1996. Jorge cumpre pena de 47 anos por ser o autor de uma chacina, mas pode sair da cadeia duas vezes por semana.

O policial já estava preso por causa da chacina, mas saiu da cadeia em 19 de outubro de 1996, véspera do assassinato de Carvalho. Voltou, segundo o livro de registros da delegacia, no dia seguinte ao crime. Com a descoberta do delegado, a folha do livro em que constava a saída do preso sumiu. A OEA pediu ainda ao governo que transfira Jorge para um presídio de segurança máxima.

Segundo o diretor do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular do RN, Roberto Monte, a segunda vítima ameaçada, o grupo de extermínio tem a participação do subcoordenador da Central de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública, Maurílio Pinto de Medeiros. A reportagem ligou para Medeiros, mas ele não retornou os pedidos de entrevista. A arma que matou o advogado era do policial Otávio Ernesto, ex-braço direito de Medeiros.