OCDE prevê crescimento de 0,5% do PIB em 2004

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Publicado quarta-feira, 26 de novembro de 2003 as 10:15, por: cdb

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê a retomada da economia brasileira para o último trimestre deste ano, ganhando impulso em 2004. Neste ano, porém, o crescimento deve ficar em apenas 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

A previsão do relatório de abril da OCDE era bem maior: crescimento de 2% neste ano. Para o ano que vem, o crescimento deve chegar a 3% do PIB, segundo o relatório recém-divulgado, que mantém a mesma previsão de abril.

A OCDE alerta para o atraso na aprovação das reformas tributária e da Previdência e a possibilidade de que isso ponha em risco a retomada da economia do Brasil.

-As reformas estruturais estão avançando apenas vagarosamente, o que pode afetar a sustentabilidade da recuperação- diz o relatório Economic Outlook da OCDE, divulgado nesta quarta-feira.

‘Debate feroz’

Mas a organização observa que, em oposição a essas incertezas, o governo renovou o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o que “mostra seu compromisso com a continuação dos esforços de reforma e a importância que dá a um ambiente macroeconómico estável”.

O relatório ressalta que as reformas estão atrasadas devido ao “debate político feroz que envolve esses temas e ao fato de que o governo tem que negociar concessões políticas complexas” para sua aprovação.

O governo, porém, “parece estar firmemente comprometido com esse processo” e continua a forçar a agenda das reformas no Congresso, segundo a OCDE.

Mesmo assim, o estudo diz que as dificuldades políticas podem atrasar o processo de reformas, “afetando a confiança e ameaçando a sustentabilidade da dívida (pública)”.

Ressalta também a importância da lei de falências, que está em discussão no Congresso. Diz que existe a expectativa de que a lei “ajude a aumentar a intermediação financeira por meio dos bancos”.

Dívida

O Economic Outlook destaca a consolidação da situação fiscal, mas diz que é devido “à forte contenção de salários e cortes seletivos de despesas no setor público”.

Diz ainda que a meta de superávit primário (resultado das contas públicas que exclui receitas e despesas financeiras) de 4,25% do PIB acertada com o FMI deve ser atingida.

-No entanto, com baixo crescimento e altas taxas de juros, o tamanho da dívida em relação ao PIB aumentou novamente desde o início do ano, embora o governo, tirando vantagem de desenvolvimentos, conseguiu melhorar o perfil de maturidade (vencimentos) da dívida- diz o relatório.

Mas a OCDE observa também que com a estabilidade fiscal, o relaxamento da política monetária e a continuação do impulso das exportações, a recuperação da economia deve começar no último trimestre deste ano, ganhando impulso em 2004 e 2005.

Segundo o estudo, como a demanda doméstica e as condições de crédito no país são sensíveis à redução dos juros reais, elas devem se recuperar de forma relativamente rápida.

Custos

O Economic Outlook ressalta o fato de o resultado em conta corrente (saldo das transações financeiras do país com o exterior) ter saído de um déficit de US$ 7,7 bilhões em 2002 para uma situação de equilíbrio neste ano.

Esse ajuste nas contas externas foi acompanhado de uma “forte desaceleração nas entradas de capital externo, notadamente investimento direto estrangeiro”.

Mas a OCDE observa ainda que, “apesar de um forte crescimento das exportações, o ajuste econômico em andamento no Brasil teve custos em termos de crescimento econômico”.

O aperto da política monetária, com a taxa de juros atingindo 26,5% entre fevereiro e maio, foi justificado no contexto da “limitada credibilidade do sistema de metas de inflação no Brasil”, pois, desde 2001, o resultado vinha superando a meta, segundo a OCDE.