OAB-SP critica escolha de suposto ex-torturador para chefe de polícia

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Publicado terça-feira, 15 de abril de 2003 as 08:34, por: cdb

O delegado Aparecido Laertes Calandra foi anunciado nesta segunda-feira como o novo chefe do serviço de inteligência da Polícia Civil (Dipol) de São Paulo. A nomeação do delegado é polêmica. A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), questiona o fato de Calandra ter participado do DOI-Codi, central de repressão do regime militar na década de 70, e classifica o oficial de “torturador”.

“Para a OAB, os torturadores só têm lugar na História Universal da Infâmia e se encontraram, eventualmente, o abrigo do perdão legal, jamais obterão o perdão do povo que nunca esquecerá seus rastros de sangue. Por tais motivos, exigimos que tais acusações sejam apuradas e que, se confirmadas, não se prossiga com tais recompensas e promoções para quem cometeu crimes tão nefandos contra a Nação brasileira”, diz a nota divulgada à imprensa.

Em resposta, a Secretaria de Segurança Pública do Estado afirmou em nota que Calandra nunca respondeu a inquérito policial ou administrativo durante sua vida profissional. A Lei de Anistia de 1979 impede o julgamento dos responsáveis por torturas durante a ditadura no Brasil. Segundo a Secretaria, “não existem fatos que desabonem sua conduta no exercício das funções como delegado”. O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB, justificou a nomeação, afirmando que Calandra nunca foi condenado. No Brasil foram registrados oficialmente 288 mortos ou desaparecidos por motivos políticos durante a ditadura militar.