OAB afirma que advogados não se opõem aos detectores

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Publicado quarta-feira, 23 de abril de 2003 as 18:02, por: cdb

O presidente nacional da OAB, Rubens Approbato, em nota oficial divulgada nesta quarta-feira, critica a declaração do presidente Luiz Inácio Lula a Silva, classificando o Judiciário de “caixa-preta”. Approbato reiterou que a OAB é a favor do controle externo do Judiciário e que os advogados não se opõem aos detectores de metais nos presídios, “desde que a medida seja adotada também com relação a juízes, promotores, delegados e outros”, afirmou.

Leia a íntegra da nota:

“Diante das declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso de improviso feito em Vitória (ES), nesta terça-feira (22/04/2003), o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) torna público que:

“As afirmações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com relação ao Poder Judiciário, se por um lado refletem as angústias da sociedade por uma Justiça mais eficiente, rápida e acessível a todos os cidadãos, não podem servir de pretexto para classificá-lo de ‘caixa preta’. Generalizações desse tipo, além de injustas, não contribuem para o avanço das discussões em torno de uma reforma há muito esperada pela sociedade. Vê-se, nesse jogo de palavras, uma clara intenção de imputar responsabilidades a um ou outro setor da vida pública pelo crescimento do crime organizado no País. Antes de se buscar culpados, é preciso reconhecer que a leniência flui por todos os lados. O País vive um clima de insegurança geral e o Estado não consegue atender, ainda, os preceitos constitucionais de prover segurança, saúde, educação e o bem-estar da população. Da mesma forma, é dever constitucional manter-se a harmonia entre os Poderes”.

“A OAB é, rigorosamente, a favor do controle externo do Judiciário por meio de um colegiado cujos representantes, mesmo não integrando o Poder Judiciário, sejam, por definição constitucional, essenciais à administração da Justiça, como os advogados, os membros do Ministério Público, os defensores públicos, os advogados públicos, dentre outros, incluindo-se, por óbvio, os representantes da magistratura”.

“Por fim, a Ordem dos Advogados do Brasil esclarece que, contrariamente ao que se tenta difundir à opinião pública, não se opõe à instalação de detectores de metais nos presídios. Entende, apenas, que a medida, para atingir plenamente seu objetivo, precisa ser de caráter geral, ou seja, valer para todos os que ingressam nos presídios: advogados, juízes, promotores, delegados, agentes penitenciários, policiais, funcionários, visitantes”.