OAB abre processo contra advogados presos na Operação Furacão

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Publicado quarta-feira, 9 de maio de 2007 as 21:06, por: cdb

O Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) instaurou nesta quarta-feira seis processos contra os advogados presos na Operação Furacão. José Renato Granado Ferreira, César Guimarães Sobreira, Silvério Nery Cabral Junior, Sergio Luzio Marques Araújo, Virgílio de Oliveira Medina e Carlos Pereira da Silva são acusados de envolvimento na compra de sentenças judiciais favoráveis a organizações criminosas ligadas às máquinas caça-níqueis e ao jogo do bicho.
 
O presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, afirmou que, pela gravidade da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra os seis advogados, “as acusações serão apuradas com todo o rigor e serenidade, como prevê o estatuto da Ordem, sem corporativismo”.
 
– Se comprovada responsabilidade em relação aos crimes pelos quais são acusados ou infração à ética no exercício profissional, os advogados estarão sujeitos, de acordo com o artigo 35, a censura, suspensão, exclusão ou multa. Da mesma forma, se não forem julgados culpados, serão absolvidos -, explicou Wadih.

Os acusados serão ouvidos na prisão onde se encontram.

De acordo com o artigo 70, parágrafo 3º do Código de Ética e Disciplina, os advogados acusados também podem ter sua inscrição na Ordem suspensa preventivamente, “em caso de repercussão prejudicial à dignidade da advocacia”, depois de ouvidos pelo relator.

O presidente do Tribunal de Ética e Disciplina, Paulo Saboya, designou como relator dos processos o conselheiro Marcos Bruno, que será auxiliado pelos conselheiros Jorge Augusto Espósito de Miranda e Victoria Amália de Barros Carvalho Gozdawa de Sulocki. Os acusados serão ouvidos na prisão onde se encontram, assegurada ampla defesa.
 
Em depoimentos à Justiça Federal, Sérgio Luzio Marques de Araújo, Virgílio de Oliveira Medina e José Renato Granado Ferreira negaram participação nos crimes. Já Silvério Luiz Nery Cabral Junior e Júlio César Guimarães Sobreira se recusaram a falar em juízo. Por ser policial federal, Carlos Pereira da Silva não veio ao Rio prestar depoimento.