O Senado dos EUA proíbe aborto no final da gravidez

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Publicado quinta-feira, 13 de março de 2003 as 17:49, por: cdb

O Senado dos EUA aprovou nesta quinta-feira, com 65 votos a favor e 32 contra, uma medida que proíbe o aborto a partir da décima segunda semana de gestação, resolução tomada após três dias de debate sobre o assunto.

A medida, que inclui exceções nos casos em que um aborto tardio sirva para salvar a vida da grávida, passa agora para a Câmara de Representantes, onde se prevê sua aprovação nas próximas semanas.

Em um comunicado, o presidente americano, George W. Bush, elogiou a aprovação do projeto de lei por considerar que o aborto de um feto já desenvolvido “é uma prática abominável que ofende a dignidade humana”.

“A ação de hoje é um passo importante para que se avalie a vida nos EUA. Espero que a Câmara baixa a aprove e trabalhe com o Senado para resolver qualquer divergência e assim assinar esta lei”, disse Bush, que destacou o assunto durante sua campanha eleitoral.

Os republicanos, que agora dominam as duas câmaras do Congresso, conseguiram uma vitória importante na espinhosa questão do aborto, com a aprovação de uma medida que encorajavam há oito anos.

Como costuma acontecer com a questão do aborto, grupos conservadores elogiaram a aprovação do projeto de lei enquanto seus adversários disseram que isto é apenas o início de maiores restrições aos direitos reprodutivos da mulher.

Ken Connor, presidente do conservador Conselho de Pesquisa Familiar (FRC), disse em um comunicado que a votação no Senado “acaba com uma prática horrível e desnecessária que tirou a vida de milhares de crianças e prejudica tantas mulheres”.

A Federação Nacional para o Aborto (NAF), que representa médicos que praticam abortos, prometeu que, uma vez assinada a lei por Bush, apresentará uma ação nos tribunais federais contra “esta proibição inconstitucional”.

“São os médicos e não os políticos que estimulam agendas próprias os que devem determinar o cuidado mais indicado para seus pacientes”, disse Vicki Saporta, presidenta da NAF.

O Senado confirmou na noite de quarta-feira (12) por estreita margem, 52-46, seu apoio à decisão “Roe contra Wade” do Tribunal Supremo em 1973, que legalizou o aborto nos Estados Unidos.

Para os ativistas que defendem o direito ao aborto, essa votação no Senado serviu de referendo sobre um ditame de 30 anos.