O risco de contrair a doença da vaca louca é maior do que se pensava

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Publicado segunda-feira, 5 de agosto de 2002 as 08:19, por: cdb

Cientistas do governo britânico disseram que o risco de se contrair a doença de Creutzfeldt-Jakob, a variante humana da BSE, a doença da vaca louca, por meio de transfusões de sangue pode ser maior do que se imaginava.
Testes de laboratório realizados em ovelhas mostraram que uma em cada seis transfusões de sangue infectado resultaram no desenvolvimento da doença, segundo o jornal britânico Guardian. O estudo sugere que células vermelhas e plasma podem ser infectados pela doença. A versão final da pesquisa deve ser publicada apenas em novembro.

O governo britânico informou que já tomou medidas para reduzir o risco de transmissão da variante humana da doença da vaca louca por transfusões, que incluem a retirada das células vermelhas de sangue já doado. Mas o governo também pode proibir pessoas que receberam sangue de fazer doações. O Serviço Nacional de Sangue da Grã-Bretanha disse que a pesquisa é importante, mas garantiu que não há risco de contrair a doença doando sangue. Um porta-voz do serviço disse que é preciso “coletar dez mil unidades de sangue por dia para garantir a continuidade de tratamentos no país. Por isso é vital que as pessoas continuem doando sangue e que novos doadores compareçam também”.

Os autores do estudo sugerem que o risco de transmissão da variante humana da doença da vaca louca pelo sangue pode ser “sensível”. O governo descrevia este risco como “teórico”. A doença fez 114 vítimas na Grã-Bretanha segundo dados divulgados em janeiro. Analistas prevêem um aumento de 20% neste número a cada ano.

O professor Hugh Pennington, da Universidade de Aberdeen, disse que “não se sabe quantas pessoas podem apresentar os sintomas da doença.
” A preocupação é de que há mais pessoas incubando a doença “, disse.
O professor disse que, mesmo que milhares de pessoas estivessem com a variante humana da doença da vaca louca, o risco de contrair a doença por meio de transfusões de sangue seria muito pequeno”.

O governo já tomou medidas de precaução para evitar o risco de contrair a doença por transfusão de sangue. O governo britânico só usa plasma importado, já que as células brancas seriam o componente do sangue que têm mais probabilidade de carregar a doença. Atualmente, não há um exame para detectar a doença no sangue humano. Este exame pode ser disponibilizado em 2003. E, nos próximos meses, conselheiros do setor devem fazer novas recomendações para doações de sangue. Os futuros doadores deverão passar por um teste para detectar a variante humana da doença da vaca louca antes de doar sangue.