O PT caminha para o centro?

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Publicado quinta-feira, 13 de dezembro de 2007 as 23:05, por: cdb

O PT concluiu, na semana passada, a apuração do primeiro turno do Processo de Eleição Direta (PED), que escolhe os dirigentes nacionais, estaduais e municipais do partido do presidente Lula. Apesar da crise vivida pela legenda deste o estouro das denúncias de corrupção contra seu núcleo central e da sua crescente diluição programática, mais de 326 mil filiados votaram neste pleito – número superior ao registrado no PED de 2005, no auge dos escândalos (315 mil). O resultado final também não contabilizou os votos de 1.413 municípios onde o partido está organizado em comissões provisórias, nos quais os filiados só puderam votar nas chapas e candidatos locais. Estes números confirmam a força e capilaridade que o PT ainda possui na sociedade brasileira.

A eleição, porém, revelou um PT mais fraturado e pendendo cada vez mais ao centro. Nenhum candidato conseguiu a maioria simples de votos, o que força a realização do segundo turno para a escolha do presidente nacional da sigla, que ocorrerá em 16 de dezembro. Ricardo Berzoini, o atual presidente, ficou com 43,24% dos votos (131.699), mesmo representando o outrora todo-poderoso “campo majoritário”, agora rebatizado de Construindo um Novo Brasil (CNB), e tendo o apoio de importantes referências partidárias. “Declaro meu apoio e convido todos os petistas a votarem em Ricardo Berzoini. Ele demonstrou a sua competência quando assumiu o partido em 2005 e em toda a sua vida política”, explicitou seu voto o próprio presidente Lula.

A vitalidade do “campo majoritário”

Berzoini concorrerá no segundo turno contra o deputado Jilmar Tatto, tido no início da disputa como “zebra” e criticado por amplos setores petistas como a expressão maior do pragmatismo. A sua candidatura representou mais uma cisão do antigo “campo majoritário” e teve o respaldo da ex-prefeita da capital paulista, Marta Suplicy. Com folgada vitória no maior colégio eleitoral, São Paulo, ele obteve 20,25% dos votos (61.440). A sua chapa foi composta por três tendências internas – PT de Luta e de Massas, Novos Rumos e Movimento PT –, que não possuem um perfil político e ideológico mais definido e abrigam setores taxados internamente de direita e de centro.

O terceiro lugar ficou com José Eduardo Cardozo (19,02%), que encabeçou uma chapa híbrida, agregando ex-aliados do “campo majoritário”, como o ministro Tarso Genro e os governadores Jacques Wagner e Marcelo Deda, e outras correntes mais à esquerda no espectro petista, como a Democracia Socialista (DS). Já no campo declaradamente de esquerda, Valter Pomar teve 12% dos votos e outras três chapas somaram 5%. Em síntese, o PED confirmou o racha do ex-campo majoritário, mas revelou que ele mantém as rédeas do partido e teve impressionante capacidade de recuperação da sua crise – o que já ficará patente no congresso do PT em setembro. Apesar das raras críticas às distorções no pleito (desigualdade de material entre as chapas, filiações sem critérios e cotizações anti-regimentais), ninguém mais dúvida da vitalidade do centro petista.

Sem diferenças programáticas

Diferentemente do PED de 2005, quando Ricardo Berzoini disputou a eleição com forças mais à esquerda, agora os dois candidatos que concorrem ao segundo turno não têm grandes diferenças programáticas, nem severas autocríticas da recente crise partidária, nem reparos a atual aliança preferencial com partidos de centro e nem críticas mais consistentes aos rumos do governo Lula. Já ocorreram, inclusive, tratativas para unir as chapas antes mesmo do pleito, o que sinaliza para uma provável recomposição no futuro próximo. Luis Favre, marido da atual ministra do Turismo e apoiador de Tatto, propôs um “pacto majoritário”, já que as duas chapas “compartilham pontos centrais acumulados em todos esses anos pelo PT”. Unidas, as duas chapas terão mais de 60% dos cargos na próxima direção nacional e poderão isolar de vez os setores mais críticos, reforçando o con