O povo tomou a direção da barca

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sábado, 4 de janeiro de 2003 as 23:20, por: cdb

“Pode se matar uma rosa, duas rosas
ou até três rosas, mas não podemos
retardar a chegada da Primavera”

Metalúrgico Lula – 1994

-Confesso que chorei.
-A esperança agora é maior. O sonho impossível tornou-se realidade. Lula Presidente: depois de amigos de latifundiários no poder; depois de amigos de banqueiros no poder; depois de agiotas locais e emboabas comandarem a economia a partir do capital internacional, O POVO TOMOU A DIREÇÃO DA BARCA! – Aleluia Democracia!
-Sem violência, sem golpismos, sem revoluções de araque (como as que tivemos trocando de oligarquias), sem rupturas e sem medo de ser feliz, o povo na rua sorri pelo 2003 que se engalana em seu favor. Saravá, jecas e babaquaras. O mundo feliz assiste um operário aleijado pela máquina de produção ganhando a posse da faixa presidencial como eleito presidente de todos. Um presidente que, ao contrário de todos os antigos mandatários do país, gosta mais do cheiro do povo do que do cheiro dos palácios…
-Esse é o presidente do bóia-fria, do sem terra, do que come de marmita, do que não tem casa, do que vive à margem da sociedade, numa biboca ou ribeirinha, do que ganha o vergonhoso mínimo imposto pelas classes dominantes – com os podres poderes sempre tendo lucro e financiando a manutenção dos excluídos sociais.
-Crianças riem e pulam a carniça do desgoverno anterior que já vai tarde. Jovem choram pelo civismo limpo sem falsos planos econômicos em fraudes eleitorais. Mandela, Jimmy Carter, o Papa Carol, todos, se encantam esperando as gracezas das dignidades paisanas, pelos reformas sociais que permitam o ciclo da fome zero.
-É preciso dar comida ao povo. O aperitivo é a posse do Lula Lá! A mesa é farta. O povo cansou de comer as migalhas que caiam das mesas dos ricos, desde os tenebrosos tempos de escravatura exploradora que ensinava latim ao índio nativo e, estúpida, não via o negro nem como gente, mas como animal de canga.
-Esse não pode ser um país eternamente deitado em berço esplêndido. O povo votou contra tudo o que aí reinava e batia continência pro ignóbil e vil, tudo de amoral, inumano, aético, tudo de anti-social e pró agiotas do americanalhado capitalhordismo insano que ainda sobrevive às custas desse terceiro mundo que somos até então.
-O povo quer reformas que reformem mesmo. Não reformas pífias e suspeitas que dêem verniz novo a históricos destemperos e desmandos velhos. O povo não quer ser só um mero dígito nas estatísticas das bandas cambiais com controles sazonais.
-A festa popular não é só do povo. A festa não é de um só dia. Não adianta sermos penta-campeões de futebol, de temos milhões morrendo de fome, milhões de desempregados, e a miséria brasileirinha não sensibilizando ninguém do alto comando, todos vaquinhas de presépios atreladas a máfias e quadrilhas de neoliberais entrevando os quatro poderes.
-O país só é rico para os ricos? Por quê? A mesa é farta só para as exportações? Por quê? Queremos um Brazyl não uma mera Sociedade Anônima, mas um país soberano para a maioria absoluta da população carente, que sempre viveu a margem de falsos planos econômicos temporões de hediondos interesses capitais.
-Lula ganhou. O povo ganhou. O povo é o dono de si outra vez. Talvez desde Vargas. Talvez como nunca. Não sei se choro (de alegria) ou se rio na minha contenteza cívica. O vade retro das urnas foi para o que estava pelaí, de sórdido, de perverso, com os tolos das bandas dos contentes em currais soterrados de frios números inúteis…
-Posso assoviar meus blues. Posso cantar Luiz Melodia. Posso fazer poemas brancos. Posso colocar a bandeira nacional na janela. Posso sorrir ao ver a banda passar. Eu me sinto presidente também. Não senti nunca isso. Porque eu também tenho origem pobre, passei fome, tive ficha nos porões da canalha de 64, a incompetente, corrupta, violenta e senil ditadura militar, que é cem por cento responsável pela atual falência social e ética desse resto de país de impunidades por atacado.
-Com Lula Lá