O mundo se submete aos EUA, diz Embaixador iraquiano na ONU

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Publicado sexta-feira, 4 de abril de 2003 as 20:09, por: cdb

O embaixador do Iraque na ONU, Mohamed Al-Duri, afirmou nesta sexta-feira, que a comunidade internacional está submetida à vontade dos Estados Unidos e do Reino Unido, e criticou as Nações Unidas por não enviar ajuda imediata ao povo iraquiano.

“A comunidade internacional não é livre e aceitou ser pressionada pelas atitudes e meios britânicos e americanos”, declarou o embaixador iraquiano.

Al-Duri acrescentou que “a razão pela qual a comunidade internacional se mostrou inativa é pela pressão destas potências não só sobre os governos mas sobre os próprios cidadãos destes países”.

Além disso, destacou o enorme apoio oferecido pelos países árabes que, na sua opinião, estão realizando um grande trabalho de assistência à população iraquiana com o envio de medicamentos e outros artigos básicos, além de mostrarem sua oposição à intervenção militar em grandes manifestações.

O embaixador expressou sua indignação por estar sendo discutida a reconstrução política e econômica do país em meio à continuação da guerra.

“Que sentido tem falar da reconstrução, quando só no dia de ontem (3) lançaram 1.500 bombardeios em Bagdá? É uma maneira hipócrita de abordar o tema da guerra. O importante agora é atender à população e aos feridos”, disse.

O embaixador iraquiano também criticou o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, a quem acusou de ter-se mantido em silêncio durante mais de 15 dias e não ter agilizado os planos para oferecer ajuda humanitária.

Embora tenha admitido que a situação humanitária não é alarmante, assinalou que há uma grande necessidade de remédios e material médico, especialmente depois dos bombardeios em áreas civis.

“O trabalho do secretário-geral é fazer algo a respeito. No entanto, ficou em silêncio durante mais de 15 dias, assim como a comunidade internacional. O fato de a assistência humanitária não ter sido proporcionada desde o primeiro dia abalou a reputação das Nações Unidas”, ressaltou.

Neste sentido, destacou que a obrigação do secretário-geral e da comunidade internacional é agir com a maior rapidez possível para aliviar o sofrimento do povo iraquiano.

Diante dos planos dos Estados Unidos para a instauração de um novo governo no Iraque, Al-Duri disse que é pura “propaganda” e que Washington e Londres podem ter os planos que quiserem, mas a realidade local é que o país ainda está em guerra.

“Não posso falar qual idéia o governo dos EUA e seus mercenários têm sobre o Iraque. Ainda estamos em condições de guerra. Ali onde há soldados americanos e britânicos, os iraquianos estão lutando”, acrescentou.

Sobre seu futuro político como embaixador, Al-Duri afirmou que deixará os Estados Unidos quando lhe pedirem que vá embora.

“Se me pedirem, ficarei feliz em sair deste país e reunir-me com minha família e meus amigos no Iraque”.