O mundo diz não à guerra

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Publicado domingo, 23 de março de 2003 as 22:29, por: cdb

Milhares de pessoas participaram de manifestações pela paz e contra a invasão do Iraque em todo o mundo neste domingo.

Em Lahore, no leste do Paquistão, 50 mil pessoas foram às ruas, algumas cantando “Deus é grande”, enquanto outros queimavam imagens do presidente americano, George W. Bush.

Entre as mensagens carregadas nas faixas dos manifestantes estavam frases como: “Parem de derramar sangue, não ao terrorismo dos Estados Unidos” e “Muçulmanos do Iraque, estamos com vocês”.

No Afeganistão, cerca de mil pessoas protestaram contra a guerra em Metalam, capital da província de Lagman.

Sentimento generalizado

“Eles queriam reclamar da guerra e dos americanos”, disse um representante do governo local.

A correspondente da BBC em Cabul, Catherine Davis, disse que, apesar de os organizadores do protesto terem interesses próprios em jogo, a manifestação reflete o sentimento antiguerra generalizado no país.

Muitos afegãos ficaram surpresos e, e em alguns casos, revoltados com a decisão do seu governo de apoiar a invasão do Iraque.

Na Austrália, as manifestações continuaram neste domingo pelo terceiro dia consecutivo. O tráfego em Sydney parou, enquanto cerca de 30 mil pessoas participaram de uma passeata com tambores e apitos.

Na capital do país, Canberra, cerca de 5 mil pessoas se reuniram em frente ao Parlamento para desenhar o símbolo da paz com pétalas de flores e pedir aos motoristas que participassem do “buzinaço pela paz”.

“Quem será o próximo? Paquistão, Índia, Coréia do Norte? Uma caixa de Pandora pode estar sendo aberta, eu só espero estar errado”, disse um dos manifestantes à agência de notícias Reuters.

A Austrália deslocou cerca de 2 mil soldados para o Golfo Pérsico.

Índia

O clérigo-mor da mesquita Jama Masjid em Nova Délhi, a maior da Índia, conduziu mais de 4 mil muçulmanos em uma passeata pela capital indiana.

Os manifestantes protestaram na capital da Indonésia, Jacarta, em frente às embaixadas britânicas e australianas.

Protestos aconteceram também em Londres, onde centenas de pessoas se reuniram no Hyde Park para uma tarde de discursos.

Em Nova York, cerca de 100 mil foram às ruas na hora do almoço, em uma passeata do Times Square ao Washington Square Park, ocupando 20 quarteirões da cidade.

Em Washington, centenas de manifestantes gritavam “Abaixo sangue por petróleo” ao participar de uma manifestação pelas ruas que culminou em frente à Casa Branca.

No entanto, aconteceram também passeatas pró-guerra em algumas cidades, entre elas: Atlanta, Chicago e Lansing, em Michigan.

Algumas das manifestações terminaram em violência. Em Bruxelas, a tropa de choque da polícia tentou evitar que manifestantes que atiravam pedras e pedaços de pau contra a embaixada americana chegassem perto do prédio.

Em Berna, capital da Suíça, policiais chegaram a usar canhões d’água, munição de borracha e gás lacrimogêneo contra um grupo de pessoas que usavam máscaras, acusadas de participar de uma facção radical.

Em Atenas, na Grécia, manifestantes chegaram a jogar coquetéis molotov no jardim da embaixada dos Estados Unidos.