O MST em Londres

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Publicado segunda-feira, 27 de agosto de 2001 as 12:07, por: cdb

Custou mas veio. Chegou a Londres e parece que vai pegar.

Feito já se pode dizer que vai pegar a caipirinha.

Refiro-me ao MST. Não ao Movimento dos Sem Terra mas ao Movimento dos Sem Teto.

E liderado por … brasileiro!

Atenção, podem estufar o peito e cantar o Hino Nacional.

Esclareçamos. O fenômeno, a figura legal, do “squatting” já existia. Há uns bons 30 anos.

Trata-se do direito de ocupar uma propriedade abandonada pelo dono. Quer dizer, feito entre nós, isso dá direito de alguém ir lá e alegar, ou tomar, posse da tal propriedade.

A 3 por 2 uma casarona abandonada é ocupada por um grupo de “squatters”, ou posseiros.

Na sexta, 24 de agosto, em primeira página do “Guardian”, lá estava: há cerca de 10 dias que um grupo de cerca de 20 pessoas, entre rapazes e moças, se apossou de uma casa, quase um palacete, num bairro dos mais respeitáveis de Londres, Clerkenwell.

A casa pertence, ou pertencia (até segunda ordem judicial) ao sr. Gavyn Davies, um multimilionário, principal economista internacional da renomada Goldman Sachs e vice-presidente do conselho da BBC.

Do outro lado da arena, ou da luxuosa mansão, temos — como líder e articulado porta-voz — temos o Isma. Isma? É, Isma.

Um brasileiro com camisa rubro-negra e macacão que, ao que parece, é o líder, porta-voz e conselheiro legal do grupo de posseiros.

Em entrevista com o jornal, Isma explica que a posse da propriedade se baseia no respeito, que não irão vandalizar a casa, que ele acha, aliás, “muito linda”.

E Isma conta que eles são boa gente, fazem arte tocam música, não são drogados, limpam tudo. Que apenas deram umas festas e que foi uma boa.

Isma alega que a secção 6 de uma lei de 1977 justifica a ocupação.

Não tem ninguém morando na casa, ocupe-se a casa.

A entrevista é encerrada com um convite ao repórter: “Até que um tribunal me mande uma carta, eu posso ficar aqui. Ninguém mais. Agora vamos fumar um baseado e comer um macarrão.”

Esperava-se, para o mesmo dia em que foi publicada a reportagem, uma ordem judicial acabando com a primeira manifestação, neste país, do Movimento dos Sem Teto.

Ou movimento daqueles que buscam um teto legal.