‘O governo não tem direito de fracassar’

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Publicado sexta-feira, 3 de janeiro de 2003 as 11:29, por: cdb

Ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, José Dirceu disse nesta sexta-feira que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poderá fracassar na concretização de suas propostas. “Não temos o direito de fracassar, temos que trabalhar, trabalhar, trabalhar”, declarou Dirceu.

O novo ministro lembrou a orientação feita por Lula para que os novos integrantes do governo não fiquem criticando erros de governos anteriores e trabalhem olhando para o futuro, e não para o passado. Dirceu afirmou que pretende ter uma atuação “discreta e humilde” na Casa Civil.

“Vamos trabalhar em equipe”, disse. “Todos podem ter certeza absoluta de que me comportarei com humildade, embora muitos não acreditem”, brincou.

Dirceu conclamou todos a colaborar com o governo Lula. “Vamos à luta, porque nossa causa é justa e nosso povo merece”, frisou o deputado, em uma referência aos compromissos assumidos por Lula de combater a fome, a desigualdade social e promover o desenvolvimento econômico do país.

Cerca de 500 pessoas prestigiaram a cerimônia de trasmissão do cargo, realizada no Salão Leste, no 2º andar do Palácio do Planalto.

Entre os presentes estavam dois ex-presidentes da República, José Sarney e Itamar Franco, o presidente do Congresso Nacional, senador Ramez Tebet, e o presidente Nacional do Partido dos Trabalhadores, José Genoíno, além dos novos ministros Luiz Dulci, Tarso Genro, o secretário de Agricultura e Pesca, José Fritsch, e o novo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix.

Dirceu explicou que o pacto social proposto pelo presidente será implementado em duas direções, privilegiando igualmente o desenvolvimento econômico e o combate às desigualdades sociais no país.

“Nós, um partido de esquerda e socialista, e é sempre bom lembrar isso, estendemos a mão para o empresariado brasileiro e propusemos um pacto, mas é preciso que se deixe claro que esse pacto tem duas direções: é preciso defender o interesse nacional, a produção e o desenvolvimento do país, mas a contrapartida é a distribuição de renda, a justiça social, a eliminação da pobreza e da miséria”, afirmou.

Segundo o novo ministro, que será o articulador político do governo Lula, “não pode haver uma estrada só e uma direção só”.

De acordo com Dirceu, “não é aceitável” que o país resolva seus problemas econômicos, se desenvolva, e que o crescimento econômico não se transforme em maior participação do trabalho na renda nacional, “porque essa participação caiu pela metade nos últimos 20 anos”.

“E sem uma distribuição de renda, uma revolução na educação, sem o combate à pobreza, também não haverá desenvolvimento duradouro e sustentável”, salientou. “Todos nós sabemos que a atual concentração de renda e as desigualdades sociais levarão o país ao impasse social, cultural e institucional, e que não é possível viabilizar o desenvolvimento econômico do país sem uma ampla distribuição de renda, porque essa concentração de renda é impeditiva do crescimento econômico”.

José Dirceu afirmou que o novo governo considera possível garantir o desenvolvimento econômico do Brasil combatendo simultaneamente as diferenças sociais.

“Povo educado, povo alimentado, é povo soberano que exerce o poder, além de delegá-lo”, declarou.

O ministro fez também um apelo à sociedade para que participe, de uma forma geral, da implementação dos projetos de Lula para a área social.

Dirceu ressaltou ainda que o Brasil vive momentos difíceis, devido às ameaças de guerra e aos problemas da economia e das finanças mundiais, mas disse que será mais fácil o governo brasileiro superar as dificuldades decorrentes desse clima adverso, se houver uma ampla participação popular.

José Dirceu lembrou que o presidente Lula deixou bem claro esse compromisso no pronunciamento que fez ao assumir o governo, e afirmou: “Somente com um novo contrato social, somente com um pacto social, somente com a mobilização popular, o