O cinema indiano, Bollywood, tenta atrair público com temas ousados

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Publicado sábado, 22 de fevereiro de 2003 as 09:40, por: cdb

Com o declínio da indústria do cinema indiano, a chamada Bollywood, com seus romances açucarados, vem enfrentando a concorrência de filmes que querem atrair audiências com tabus como incesto, homossexualismo e violência religiosa.

Chamados hinglish – uma mistura de hindu com english (inglês) -, essas produções de baixo custo estão aproveitando a atenção de uma elite urbana, cujo primeiro idioma é o inglês, e o espaço de salas de cinema menores que estão dando aos filmes mais oportunidades de exibição.

“É o momento ideal para essa idéia. Quando começou, abriu como um conta-gotas que se transformará em uma enchente”, disse Rahul Bose, ator na casa dos 30 anos que lidera a nova onda.

Com custo médio típico de um décimo das produções de 6 milhões a 7 milhões de dólares de Bollywood, e finalizados em meses em vez de um ano, os filmes hinglish ousam ser diferentes, mesmo que sua produção se concentre na capital cinematográfica da Índia, Mumbai.

Os filmes hinglish não têm astros – o cachê é alto demais para eles – e experimentam com ângulos inusitados de câmera, além de abordarem certas questões abertamente em uma sociedade conservadora em que a nudez nunca apareceu na tela do cinema e onde um beijo ainda causa polêmica.

Um dos filmes de sucesso foi “Mr and Mrs Iyer”, em que uma mulher hindu de alta casta e casada se apaixona por um muçulmano, com distúrbios religiosos como pano de fundo.

O elogiado “Everybody Says I’m Fine”, dirigido e estrelado por Bose no papel de um cabeleireiro paranormal, mostra um relacionamento incestuoso entre uma mulher e seu pai.

A habitual produção de Bollywood é o musical cheio de brilho e romance – uma fórmula que já teve dias melhores e agora está perdendo dinheiro.

“As pessoas querem ver algo diferente. Os filmes estão tendo maus resultados porque estão ficando ruins. Os filmes hinglish oferecem algo diferente. Com bons filmes e bons roteiros, dá para ganhar dinheiro”, disse a editora da revista de cinema Box Office, Indu Mirani.

Analistas acreditam que as produções hindish nunca serão a principal forma de produção da maior industria cinematográfica do mundo, mesmo que sejam influentes.

O recorde de 15 filmes hindish de 2003 são uma fração minúscula dos quase 1.000 filmes de Bollywood no mesmo período.