O capitalismo liberal

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Publicado sábado, 28 de abril de 2007 as 14:44, por: cdb

“It should never be forgotten that this was how the British Empire began: in a maelstrom of seaborne violence and theft.”
Niall Ferguson, Empire, Penguin Books


A Inglaterra era uma potência secundária, dentro da Europa, até o século XVII. Não teve recursos para participar da grande guerra européia dos “30 Anos”, entre 1618 e 1648, e em 1688, o Rei James II ainda recebia uma “mesada” de Luiz XIV, para poder fechar o seu orçamento. Por isto também, os ingleses só entraram na corrida colonial européia muito tarde, depois de 1660, primeiro no Caribe, e depois na Índia. Mas desde então o poder da Inglaterra cresceu de forma rápida e contínua, permitindo que ela impusesse supremacia colonial no mundo, e sua hegemonia na Europa, antes da sua Revolução Industrial. E quando a Libra se transformou na moeda de referência internacional, a partir de 1870, o Império Britânico já era o mais extenso e poderoso de toda a história da humanidade.

Existe consenso entre os historiadores a respeito do papel que tiveram a Índia e os Estados Unidos na história deste sucesso político e econômico da Grã Bretanha, mesmo depois da Revolução Americana, que não interrompeu a expansão inglesa na América. Pelo contrário, foi depois da independência norte-americana, e da vitória inglesa sobre a França, em 1815, que os Estados Unidos se transformaram na fronteira de expansão do capital financeiro e do capitalismo inglês, selando uma aliança estratégica, e criando um “território econômico” quase contínuo. Sem esta aliança, por outro lado, seria impossível entender a ousadia precoce e o sucesso do próprio expansionismo americano, que começa praticamente no ano seguinte da independência.

Desde então, como no caso da Grã Bretanha, os Estados Unidos acumularam, de forma contínua, territórios e posições de poder internacional. Um ano apenas depois da assinatura do Tratado de Paz com a Grã Bretanha, em 1784, os comerciantes americanos já estavam presentes nos portos da Ásia e da África. E logo depois, no início do século XIX, o governo americano já se sentia autorizado a proteger seus comerciantes enviando “expedições punitivas” para bombardear as cidades de Trípoli e Argel, em 1801 e 1815, uma prática que só era comum entre as velhas potências coloniais européias. Da mesma forma, os Estados Unidos participou e beneficiou-se, ao lado das grandes potências européias, de vários Tratados Comerciais – os “tratados infames” – impostos aos países africanos e asiáticos, como no caso da China, em 1844, e do Japão, em 1854.

Além disto, dentro da América do Norte, os Estados Unidos expandiram seu território de forma permanente, conquistando, de forma sucessiva, a Flórida, em 1819, o Texas, em 1835, o Oregon, em 1846, o Novo México e a Califórnia, em 1848, e mais os territórios indígenas que só se renderam completamente depois de 27 guerras, feitas entre 1811 e 1891. Por fim, depois da formulação da Doutrina Monroe, em 1823, os Estados Unidos se consideraram com direito à hegemonia exclusiva dentro do “hemisfério ocidental”, e em nome desta supremacia intervieram em Santo Domingo, em 1861, no México, em 1867, na Venezuela, em 1887, e no Brasil, em 1893. Logo depois declararam e venceram a Guerra Hispano-Americana, em 1898, conquistando Cuba, Guam, Porto Rico e Filipinas, para em seguida intervirem no Haiti, em 1902, no Panamá, em 1903, na República Dominicana, em 1905, em Cuba, em 1906, e de novo no Haiti, em 1912. Assumindo, entre 1900 e 1914, o protetorado militar e financeiro da República Dominicana, do Haiti, da Nicarágua, do Panamá e de Cuba, e transformando definitivamente o Caribe e a América Central em sua “zona de segurança” imediata e incontestável.

Como conseqüência, no momento da Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos já detinham a hegemonia inconteste da América, possuíam uma presença relevante na Ásia, e tiveram uma participação decisiva para a vitória da Grã Bretanha e da França, na Europa, e n