O bioterrorismo é reconhecido, mas não os seus responsáveis

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Publicado segunda-feira, 15 de outubro de 2001 as 12:21, por: cdb

Os norte-americanos que retornarão ao trabalho nesta segunda-feira, depois do descanso do fim de semana, se depararão com medidas de segurança adicionais depois do registro de 12 casos de antraz em três estados – Flórida, Nova York e Nevada.

Na noite de domingo, o prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, anunciou três novos casos – um policial e dois técnicos de laboratório envolvidos numa investigação na sede da rede de televisão NBC, na cidade.

Em Nevada, as autoridades estaduais disseram que quatro pessoas que poderiam ter manuseado uma carta contaminada com a bactéria da doença, em um escritório da Microsoft, testaram negativo. O governo aguarda o resultado dos exames de outras duas pessoas.

Com os três novos casos em Nova York, subiu para 12 o número de pessoas que tiveram antraz ou ficaram expostas à bactéria. O total não inclui uma funcionária da NBC que está tomando antibióticos depois de ter apresentado possíveis sintomas da doença.

A onda de antraz começou em 4 de outubro, quando foi confirmado que o editor de um tablóide da Flórida, em Boca Raton, contraiu a forma inalada da bactéria. Ele morreu em poucos dias, tornando-se a primeira vítima fatal da doença nos EUA desde 1976.

Sete funcionários da companhia American Media Inc., para a qual trabalhava a vítima fatal, testaram positivo e estão sendo tratados com antibióticos. Nenhum deles desenvolveu a doença.

Uma segunda rodada de exames de sangue, para mais de 300 funcionários da companhia, deve ser realizada nesta semana.

Em Washington, o secretário da Justiça, John Ashcroft, disse ser prematuro “dizer se existe uma ligação direta” entre os casos de antraz e a rede terrorista de Osama bin Laden, mas acrescentou: “Nós devemos levar em consideração essa possibilidade”.

O secretário da Saúde, Tommy Thompson, anunciou que pedirá ao Congresso uma verba adicional de 1,5 bilhão de dólares para tomar medidas visando a conter ameaças de bioterrorismo.

Parte do dinheiro seria usada na aquisição de antibióticos para tratar até 12 milhões de pessoas por 60 dias, ou seis vezes mais que os níveis atuais.