NYT e Financial alertam Brasil e Argentina para riscos na economia

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Publicado quarta-feira, 19 de setembro de 2001 as 13:12, por: cdb

Dois dos principais jornais do mundo, o norte-americano New York Times e o britânico Financial Times, alertaram em suas edições, nesta quarta-feira, que os ataques terroristas da semana passada nos Estados Unidos poderão ter efeitos muito negativos na América Latina. Segundo o NYT, as dificuldades do Brasil e da Argentina despencaram na lista de prioridades globais. O FT, por sua vez, alertou que a possibilidade de um calote da Argentina aumentou.

O NYT alertou que os ataques da semana passada “ameaçam jogar as duas maiores economias da América do Sul, Argentina e Brasil, numa forte espiral negativa”. Segundo o diário norte-americano, analistas dizem que os dois países têm em comum uma pesada dependência do capital externo, o que os deixa especialmente vulneráveis com os efeitos econômicos causados pelos ataques.

“Embora a extensão da eventual resposta americana aos ataques terroristas ainda não possa ser conhecida, especialistas dizem que uma coisa já está clara: as dificuldades de países emergentes como a Argentina e o Brasil, embora agudas, agora despencaram na lista de prioridades globais.”

Já FT disse que mesmo antes dos eventos da semana passada as economias latino-americanas pareciam “doentes”, com desaceleração do crescimento e os preços das ações em declínio. Segundo o diário britânico, após a tragédia em Nova Iorque, as perspectivas ficaram ainda mais preocupantes por duas razões. A primeira é que os Estados Unidos parecem estar entrando em recessão, principalmente pelo fato de que os consumidores do país deverão gastar menos. Em segundo lugar, diante da incerteza nos mercados mundiais, administradores de fundos vão ficar ainda mais avessos aos riscos do que estavam antes.

“A recessão nos Estados Unidos, aliada a uma desaceleração em outras partes do mundo, vai piorar ainda mais as perspectivas da América Latina”, disse o FT. “Para a Argentina, a volta do crescimento parece ainda menos provável. Sem crescimento há uma maior chance de que ocorra um calote de sua dívida externa de US$ 130 bilhões.”