Número de transplantes no Brasil cresce 24%

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sábado, 26 de setembro de 2009 as 10:00, por: cdb

O número de transplantes no Brasil cresceu 24,3% no primeiro semestre de 2009 em relação ao mesmo período de 2008. De janeiro a junho foram transplantados 2.099 órgãos em todo o país, contra 1.688 no mesmo intervalo no ano passado.

De acordo com o Ministério da Saúde, o transplante de rim aumentou 30,28% no período e o de fígado, 23,17%. No entanto, no mesmo período, os transplantes de coração e de pulmão – que têm mais dificuldades na captação e manutenção dos órgãos – caíram 20,4% e 15,38%, respectivamente.

De acordo com a coordenadora do Sistema Nacional de Trasplantes, Rosana Nothen, o aumento se deve à melhoria na organização do sistema de transplantes e ao aumento do número de doadores e do volume de investimentos na área.

Apesar da tendência de aumento desde 2006, no Brasil, o número de doadores efetivos é de 8,6 para cada um milhão de habitantes. Na Espanha, esse número chega a 36 por milhão de habitantes.

Um dos maiores gargalos do sistema de transplantes no Brasil, segundo a coordenadora, é a verificação da situação de morte encefálica.

– Hoje ainda identificamos muito pouco a morte encefálica. É preciso capacitar pessoas para permitir que elas se sintam mais seguras em relação ao diagnóstico -, aponta.

São Paulo foi um dos grandes responsáveis pelo aumento do número de cirurgias. Em todo o estado, foram realizados 988 transplantes nos seis primeiros meses de 2009, 317 a mais que no mesmo período de 2008. Além de atender pacientes de outras regiões, o estado concentra hospitais de excelência na realização desses procedimentos.

De outro lado, há seis estados brasileiros que não registraram nenhum transplante entre janeiro e junho deste ano: Acre, Amapá, Paraíba, Rondônia, Roraima e Tocantins. “Nem sempre há organização local para realizar um processo tão sofisticado. Há falta de equipes e de expertise para verificação da morte encefálica e da manutenção dos órgãos do doador”, pondera Rosana.

A lista dos que esperam por um órgão no Brasil ainda tem 63,8 mil pessoas. Segundo Rosana, mesmo com o amento de doadores, a tendência é que a lista também cresça por fatores como a inclusão de novas modalidades de cirurgia e o aumento da expectativa de vida dos brasileiros.

Neste domingo, o ministério vai lançar uma campanha publicitária nacional para estimular a decisão de ser doador de órgãos. com o slogan 

– A Vida é Feita de Conversas. Basta uma para Salvar Vidas -. No início de outubro, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, deve anunciar mudanças no regulamento de transplantes no Brasil.