Novo Oriente Médio emerge à revelia dos EUA e do ocidente

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Publicado domingo, 8 de abril de 2012 as 15:37, por: cdb

Em 1947, o Reino Unido abandonou a Índia no caos do sangrento conflito entre hinduístas e muçulmanos e, no ano seguinte, em 1948, a Palestina sem solução para os conflituosos objetivos de árabes e hebreus. Mais do que aviamento da receita “divida e reine” tratava-se de real e, principalmente, econômica, assim como, política incapacidade de exercício das responsabilidades imperiais de um país esgotado pela guerra.

Por Serbin Argyrovitz, no Monitor Mercantil
Mantidas as analogias, para o historiador do futuro, é possível que o Obama apresente semelhanças e analogias com o Clement Attlee, o premiê trabalhista do Reino Unido no período 1945-1951 que concluiu o bota-fora dos britânicos da Índia e da Palestina.

Logo após a conclusão da retirada das tropas norte-americanas do Iraque e, com a campanha pré-eleitoral atrasando, simplesmente, a aceleração do bota-fora do Afeganistão, o governo de Washington mostra-se incapaz de intervir, essencialmente, nas evoluções na Síria e, teme as consequências de um ataque de Israel contra as instalações nucleares do Irã.

Há nove anos, pouco antes da invasão norte-americana no Iraque, a então conselheira de Segurança Nacional e, posteriormente, secretária de Defesa dos EUA, Condoleezza Rice elocubrava sobre a conformação de um novo Oriente Médio, referindo-se – ao que tudo indicou – aos planos dos “falcões” neoconservadores para mudanças de regimes no mundo árabe-muçulmano, controladas pelos EUA.

Hoje, um outro Grande Oriente Médio e, um Grande Sudeste Asiático têm emergido diferentes das ideologias dos teóricos de intervencionismo unilateral da única superpotência no início do novo século.

Principal característica da conjuntura periférica desde a Síria e o Iraque até o Afeganistão é a caótica situação interna, a incapacidade do Ocidente de intervir e, o papel protagonista das forças periféricas, como a Turquia, a Arábia Saudita, o Irã e, até a Índia.

Na Síria, o destino do regime de Assad definirá a possibilidade do Irã de ser presente no cenário central do Grande Oriente Médio, com ferramenta básica o Hezbolá no sul do Líbano, assim como, a Turquia ou a Arábia Saudita revelarem-se protetores e, coadjuvantes de um poder sunita em Damasco.

No Iraque, os frágeis equilíbrios entre os curdos ao Norte, sunitas no Centro e, xiitas no Sul serão influenciados cataliticamente pelas evoluções na Síria, assim como, pela possibilidade dos governos da Turquia e do Irã cooperarem a fim de garantir seu interesse vital e comum, que não é outro do que a manutenção do Iraque, mesmo a pretexto, como estado, com objetivo de evitar-se a proclamação – de fato – do estado independente curdo que já existe no Norte do Iraque.

O crescimento do fundamentalismo islâmico no Afeganistão-Paquistão, após a retirada das forças dos EUA, será uma ameaça mortal contra os interesses vitais da Índia e do Irã, considerando que, o governo de Islamabad possui armas nucleares. Assim, é bem provável que o governo de Nova Delhi assuma a iniciativa para a eliminação das armas nucleares do Paquistão.

No que diz respeito ao Irã, caso em que as evoluções negativas no Afeganistão-Paquistão eclodirem é óbvio que o Irã tentará aproveitar seu papel estabilizador contra o fundamentalismo sunita no âmbito de uma negociação total.

O novo Grande Oriente Médio emerge à revelia dos EUA e do Ocidente.

 

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