Novo incêndio em favela de SP provoca protestos contra condições de moradia

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Publicado terça-feira, 4 de setembro de 2012 as 10:55, por: cdb

Novo incêndio em favela de SP provoca protestos contra condições de moradia

Moradores reclamam de promessas da administração Gilberto Kassab que ficam apenas no papel

Por: Redação da Rede Brasil Atual

Publicado em 04/09/2012, 12:50

Última atualização às 12:50

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São Paulo – Mais um incêndio emhabitações precárias em São Paulo faz com que moradores se revoltassemcontra a política habitacional da gestão Gilberto Kassab (PSD). A favela do Piolho, noCampo Belo, na zona sul de São Paulo, foi atingida na tarde de ontem(3), por um incêndio, deixando três pessoas feridas e 500 desabrigadas. Esta é aquinta favela que pega fogo em apenas 20 dias.

Segundo o tenentecoronel José Luís Borges, não há como saber se o incêndio foicriminoso. Ele explica que um lixão localizado no centro da favelaaumentou a dificuldade de os bombeiros apagarem as chamas.

Luzinete Pereira dosSantos tem 60 anos e é vizinha da favela. Ela conta que a fumaça eo tamanho das chamas chamou sua atenção. “Saí correndo paraver. A gente mora aqui do lado, mas vê que é uma tristeza muitogrande desse pessoal”.

O barraco da moradoraMarlene Severina Barbosa foi um dos 285 que pegaram fogo.Emocionada, diz que perdeu tudo na tragédia. “Televisão,geladeira, coisas que eu ainda estava pagando”. Ela ainda reclamada falta de propostas para projetos de moradia urbana: 

“Não dão moradia digna. Tem tanto terreno, tantoapartamento sobrando, e não fazem nada que presta”. MônicaFernandes Santana, outra moradora, também perdeu tudo. Indignadasobre o lixão que fica na favela, diz: “A prefeitura não tira olixão daqui, é só promessa de moradia e nada concreto”.

Domicelo da Cunha morahá quinze anos na favela. Ele afirmou que o governo municipalpromete fazer apartamentos para abrigar apenas parte das pessoas quemoram no local. “Agora que é ano de eleição eles ficam vindoaqui para enganar a população, para fazer dois prédios que cabemsó 200 pessoas. Pra quê isso? Estou cansado de sofrer, esse é oterceiro incêndio que eu passo. O que a gente quer é uma moradiadigna, e não que eles fiquem engando a gente. É só isso que euquero”.

Só neste ano, foramregistrados 32 incêndios em habitações precárias na cidade.  

Ouça a reportagem deMarilu Cabañas, na Rádio Brasil Atual.