Nova resolução sobre Iraque pós-guerra traz concessões dos EUA

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Publicado segunda-feira, 19 de maio de 2003 as 22:44, por: cdb

Os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Espanha apresentaram nesta segunda-feira uma nova versão de uma resolução sobre o Iraque pós-guerra aos demais membros do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

O esboço estabelece a participação da ONU no trabalho de formação de um novo governo iraquiano e, pela primeira vez, menciona os fiscais de armas de destruição em massa das Nações Unidas.

O embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Negroponte, revelou que o documento propõe que os Estados Unidos e seus aliados na ofensiva contra o Iraque renunciem a seus poderes no governo interino assim que um novo governo, reconhecido internacionalmente, seja instalado no país.

A proposta seria uma tentativa de satisfazer membros do Conselho de Segurança que manifestaram preocupação com o poder que a resolução original reserva aos Estados Unidos e seus aliados no Iraque pós-guerra.

Mudanças

Segundo a proposta apresentada inicialmente, os Estados Unidos e seus aliados teriam a prerrogativa de definir como seria gasto o dinheiro arrecadado com a venda de petróleo iraquiano.

A primeira resolução também previa que os Estados Unidos e seus aliados só entregassem esse poder ao novo governo iraquiano após um prazo fixo pré-determinado, e não quando o novo governo iraquiano assumisse o poder.

– Agora, a definição (de quando esse mandato chegará ao fim) é política e não ligada a um prazo específico, o que parece fazer mais sentido para nós, e que esperamos que esteja mais alinhado com a realidade da situação – disse Negroponte, ao apresentar ao Conselho de Segurança a proposta.

Outra mudança incluída na nova resolução se refere ao programa de troca de petróleo por comida, que ajudou o Iraque a enfrentar as sanções impostas ao país nos últimos anos.

No documento original, os Estados Unidos pediam o fim das sanções ao Iraque e, dentro de quatro meses, também do programa.

A nova proposta, porém, amplia o período em que o programa permanecerá ativo.

O documento também diz que a ONU deve analisar, novamente, o papel dos fiscais de armas no Iraque, mas não menciona a possibilidade de enviá-los de volta ao país.

A Rússia e a França, dois membros permanentes do Conselho de Segurança, vinham defendendo o fim das sanções ao Iraque apenas depois que os inspetores voltassem ao país e o declarassem livre de armas de destruição e massa.

Negociações

– Eu espero que outros membros do Conselho reconheçam que este é um esboço com melhorias significativas, que reflete muitas de suas preocupações – disse o embaixador da Grã-Bretanha na ONU, Jeremy Greenstock.

– E também (espero que) eles vejam agora a possibilidade de avançar rumo a um consenso no tocante a um programa que inclui um papel vital e distinto para a ONU.

Segundo a correspondente da BBC na ONU Susannah Price, a versão revisada da resolução sobre o Iraque diz que o representante da ONU no país vai trabalhar junto com as forças de ocupação com o objetivo de formar um novo governo iraquiano.

Susannah disse ainda que os americanos e britânicos esperam colocar a proposta em votação ainda nesta semana, a partir de quarta-feira – o que indica que os próximos dias devem ser marcados por intensas negociações.