Nordeste corre risco de racionamento por falta de chuva

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Publicado terça-feira, 2 de dezembro de 2003 as 21:00, por: cdb

A falta de chuva no Nordeste preocupa os técnicos que trabalham na geração de energia. Com a diminuição do volume d’água nos principais reservatórios da região, não está descartado o risco de um novo racionamento.

O alerta veio do lago de Sobradinho. O maior reservatório do Nordeste, responsável por 60% da energia que abastece a região, está com 11% da capacidade. A falta de chuva já expõe os bancos de areia.

O volume de água é monitorado em tempo real pelos técnicos da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). Os computadores indicam que  os reservatórios da região acumulam 13% da capacidade. Apenas 3% acima da curva de risco. Por isso a geradora defende o funcionamento das usinas térmicas emergenciais.

De acordo com os técnicos, a situação de hoje é diferente da época em que houve racionamento. O sistema conta com mais energia disponível à partir da interligação das redes de distribuição e a contratação das térmicas emergenciais que garantem a geração de 1350 mwatts. O problema é que a energia que afasta o risco no abastecimento é gerada a partir do óleo diesel e custa cinco vezes o preço da energia hidrelétrica.

Estão no Nordeste 44 usinas térmicas emergencias. Quatro, instaladas em barcaças, ficam em Salvador. Elas devem entrar em funcionamento na próxima semana, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico.

Para o pesquisador João Suassuna, que há 8 anos já previa as limitações do rio São Francisco para gerar energia, esta é uma alternativa cara, resultado da falta de planejamento. Há dois anos, quem consome mais de 350 kwatts/hora paga o seguro Apagão, pela instalação das usinas de emergência.