Nome proposto para primeiro-ministro da ANP é rejeitado por Hamas

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Publicado domingo, 9 de março de 2003 as 19:24, por: cdb

O grupo palestino Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) se opõe à criação da figura de um primeiro-ministro na ANP e à proposta de que esse cargo seja ocupado por Majmud Abas (Abu Mazen), considerado muito moderado por boa parte da população.

A declaração foi feita pelo porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, Abdel Assis a-Rantisi, num momento no qual o Comitê Central da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) termina seus debates em Ramala sobre os poderes do primeiro-ministro, novo cargo para o qual o presidente palestino, Yasser Arafat, propôs ontem oficialmente o nome de Abu Mazen.

Abu Mazen, de 67 anos e considerado um interlocutor válido pelos israelenses, terá que ser ratificado, provavelmente na próxima terça-feira, pelo Parlamento, que amanhã terá que modificar a Lei Básica para criar o novo cargo político.

“A nomeação de um primeiro-ministro é uma concessão às exigências sionistas e dos EUA”, disse Abdel Assis a-Rantisi.

O porta-voz do Hamas disse que “a criação da figura de um primeiro-ministro é parte do plano dos EUA e de Israel para terminar com a Intifada” e acrescentou que “o que Abu Mazen, Arafat e a ANP desejam é terminar com a resistência armada”.

Para A-Rantisi, este não é o momento de mudar o sistema de governo palestino. “Quando tivermos conquistado a nossa independência falaremos de sistema de governo, agora não é o momento”, afirmou.

“De que maneira a nomeação de um primeiro-ministro contribui para cumprir nossos objetivos nacionalistas?”, perguntou.

“A segunda Intifada – disse – é um testemunho de que o processo de paz fracassou e que a única alternativa é a resistência”.

Apesar das declarações contrárias ao novo primeiro-ministro, A-Rantisi afirmou que o Hamas não enfrentará a ANP.

“O Hamas continuará com a luta contra a ocupação e para isso conta com o apoio da maioria da população”, disse.

Arafat fará amanhã um discurso no Conselho Legislativo Palestino no qual pedirá aos deputados que alterem a Lei Básica para criar a figura de um primeiro-ministro, inexistente no atual texto.

O deputado Ziyad Abu Amer, diretor do comitê político do Parlamento palestino, disse que a maioria dos legisladores apóia a decisão do presidente.

“O Conselho Legislativo deseja atribuir o controle sobre assuntos de segurança, finanças e administração ao primeiro-ministro, enquanto em política externa e nas negociações ele terá um papel compartilhado” com Arafat.

O poder que Abu Mazen terá e as funções de Arafat foram o principal assunto das deliberações políticas de Ramala

“A relação entre o presidente e o primeiro-ministro será uma relação de divisão de poderes, mas também de cooperação”, disse Amer.

Samir Sakud, de 36 anos, palestino da Faixa de Gaza, afirmou que “a maioria dos palestinos apóia um primeiro-ministro porque quer o progresso da democracia e reduzir o poder de Arafat, mas prefere que seja uma decisão palestina e não uma exigência imposta pelos EUA e por Israel”.