Noite de outras coisas

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Publicado segunda-feira, 6 de setembro de 2004 as 13:47, por: cdb

Plano Cultural conferiu no sábado a noite Cachorro Grande e Lobão no Circo Voador. Em uma série de duas reportagens/ entrevistas, publicada nessa edição e na próxima, entrevistamos Lobão e Beto Bruno, vocalista do Cachorro Grande. O segundo disco dos gaúchos foi lançado pela revista do Lobão, Outra Coisa, há três meses e levou os cariocas à loucura! Nessa que foi a terceira apresentação da banda no Rio (segunda da turnê atual), o Cachorro Grande voltou a esbanjar competência e carisma. A banda dividiu o palco com Lobão no final da noite e cantou Helter Skelter, dos Beatles e uma música inédita, que estará no novo disco do ex-baterista da Blitz, como se confere na entrevista exclusiva abaixo, feita durante a passagem de som.
 
Plano Cultural: Como está a vendagem da Outra Coisa? Quanto vendeu esse número com o Cachorro Grande? 
Lobão: Olha, a revista com o Cachorro vendeu 6 mil, 7 mil de cara, na primeira tiragem. Antes a gente tinha colocado à venda só no Rio, São Paulo e Porto Alegre. Agora vai ser no Brasil inteiro. Junto com o B Negão foi a melhor tiragem, um pouquinho maior que o B Negão. Então a gente está numa curva ascendente. A gente teve uma descendente com o Wander (Wildner), em janeiro, foi subindo com o Mombojó, Cachorro Grande, e a gente espera que com o Arnaldo Batista, agora…
 
PC: Com isso você vai deixar de lado um pouco sua carreira como músico?
L:
Eu não parei de ser músico. Até novembro eu vou lançar um disco. Vai ser um produto de banca. O disco já está pronto há dois anos, praticamente. Não está fechado, eu já gravei 3, 4 músicas nesses últimos três meses, inclusive uma com o Cachorro Grande. Mas seria um trabalho fora da revista, já estou doido pra lançar, me ver livre dele. 
 
PC: Você não pensa em reunir todo o “cast” da Outra Coisa em um mega-evento?
L: A gente está com um projeto que é fazer uma semana de música independente no Rio em todos os lugares do Rio. Acabando na Apoteose. Vai ser uma semana que a gente deve fazer em março ou em setembro do ano que vem. Mas a gente quer fazer a Lapa toda, Rival, Canecão e Sambódromo, preparar um documentário e fazer uma festa que tenha muita musicalidade, tocando desde Orquestra Tabajara até rave. Tudo que for independente como Maria Bethânia, B Negão, eu, Cachorro Grande… Vai ser a capital da música independente durante uma semana, todo ano, no Rio de Janeiro. O projeto já está andando.
 
PC: E como está o cenário musical nacional vindo das grandes gravadoras hoje em dia?
L:
Não existe nada relevante, praticamente. Atualmente, a condição da gravadora é a do politicamente incorreto pra quem está dentro. O que tem de bom lá não está sendo bom porque está lá. Então é uma coisa que algebricamente se aniquila. É bom lá, mas aquilo que está lá não é bom e aquilo dá negativo. Para nós, hoje em dia, isso não vale nada. A gravadora filtra o artista. É um lance meio radical, gravou em gravadora é meu inimigo. Claro que a gente tem aliados mas estar em gravadora não é bem vindo…      
 
PC: O próprio Cachorro Grande já disse em entrevistas que a gravadora anterior não tinha topado o disco como eles queriam, tendo imposto mudanças…
L:
Apesar da gente querer inverter essa coisa perversa. Ou seja, fazer a banda criar um estilo próprio na nossa revista de uma maneira que a fortaleça e ela possa receber um contrato de uma gravadora sem ser filtrada. O Cachorro Grande, parece, está negociando com a Deck (gravadora). Mas os caras já estão lançados. O Cachorro Grande é o Cachorro G