Nobel para Sadã

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Publicado quarta-feira, 26 de março de 2003 as 12:51, por: cdb

Li, outro dia, não sei onde, que um matuto daqui, Ceará, fora passear nos Estados Unidos. Era um produtor interessado em agricultura. Plantava algodão, cana, milho, essas coisas daqui, jerimuns, maxixes e melancias. Quando apareceu o bicudo, destruindo todo o algodão (o Ceará já foi o 2º produtor nacional, mas hoje nada produz), saíra de mundo afora a pesquisar outras culturas. Lembram da jojoba? Pois é, houve uma época em que só se falava nessa tal jojoba, um nome gozado, mas nada a ver com xoxoba. Lamentavelmente.

Pois o tal cearense caçava alternativas. Surpresa dele quando, no aeroporto de uma cidade dos States, não lembro qual, no trevo da cidade, na praça principal da cidade, na associação comercial da cidade, em todos esses lugares, até no restaurante do hotel, defrontou-se com imensas estátuas do bicudo, justamente o bicho que acabara com o algodão daqui.

O fato é que o gringo, então na miséria por conta da quebra dos algodoais, simplesmente partira para outra idéia, o amendoim. Sim, aquelas terras, vieram os agricultores de lá a descobrir, eram ótimas para o amendoim. Uma riqueza nova, sob a forma de amendoim torrado, cozido, caramelado, cru, em paçoca, em doces; manteiga de amendoim, pasta de amendoim, dólares e mais dólares de amendoim, ao ponto de elegerem um como presidente da República, um certo Jimmy Carter. Até músicas fizeram, um tal Duke Ellington, vendendo amendoins rua acima, rua abaixo… Caravan!!! E, por falar em Artes, foi a partir do sucesso daqueles agricultores que a Disney inventou o Super-Pateta, movido a… amendoins.

Acham que estou lorotando? Pois confiram aqui:

http://www.ars.usda.gov/is/AR/archive/feb03/boll0203.htm

Há centenas de sites, basta conferir no google.com, em favor do bicudo. Vejam só o nome do bicho, no melhor latinório: Anthonomus grandis grandis! Em espiquingles? É de estarrecer: Boll weevil. Evil, do cão-demônio? Por certo!

O conterrâneo voltou de lá assombrado. Queria por que queria implantar alguma novidade para substituir os algodoais, mas nada conseguiu porque o produto já havia sido substituído pelo INSS e pelo juazeiro, que, afinal, já dizia o velho Ascenço Ferreira, ninguém aqui é de ferro. Silvio Romero e Padre Manoel da Nóbrega têm outras historinhas para justificar nossa “coragem”, mas isto é outra história. Um rio, há séculos pedindo canal para cá, mas quem disse?! Entra nordestino e sai nordestino – Presidente!, e só promessas. Do atual? Aguardemos…

Bom, todo mundo aposentado, uma sinuquinha debaixo da frondosa árvore… De fato, o PIB do interior do Nordeste é, no mais das vezes, precisamente a aposentadoria geral, cartela política de todo vereador que se preze.

O que fazer? Você tem idéia melhor? Quem é que é doido, neste solzão-quente de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Vejam só que sombrão do bão para jogar a palavra por debaixo! Uma rede, um pote d’água, que nem precisa ser gelada… Ah, meu Deus! Queixa? Só dos juazeiros que são poucos e não tão frondosos, juazeirão para sinuquista nenhum botar defeito.

Morei no Recife 14 anos. Vi, um dia, na rua da Aurora, erguerem um monumento. Sabem a quê, a quem? Ao pau-de-arara. Não àquele feito com um caminhão e um monte de flagelados em cima da carroceria, em tempo de se despejarem nas curvas… do nosso Presidente, no caminho do sul-maravilha (já andei neles, uma lindeza, é certo, quando a opção é o saudabilíssimo “de-pés” – muito!), mas àquele outro, de enfiar um cristão por dentro e meter-lhe o jucá até dizer chega.

Pois como se fosse o Boll weevil, homenageia-se no Recife, a pretexto da Tortura nunca mais, justamente o objeto de torturar. (Teriam pensado nos que foram efetivamente torturados no sinistro instrumento ou apenas na arte-pela-arte?) Como se fosse em pleno West dos mesmos gringos do bicudo, em vez de um monumento ao pioneiro, ao xerife ou ao John Wayne, um monumento à forca de corda retorcida ou ao pau-de-fogo… Senão, muito pior, a c