No Rio de Janeiro, moradores realizam Ciranda da Resistência contra violações de direitos

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Publicado quinta-feira, 14 de junho de 2012 as 14:37, por: cdb

Dentro da programação da Cúpula dos Povos, acontecerá a Ciranda da Resistência, uma caminhada organizada pelo Fórum Comunitário do Porto e moradores das comunidades Arroio Pavuna e Vila Autódromo. A caminhada, que acontecerá na sexta-feira (16), às 13h, partirá da Praça Américo Brum – Ladeira do Barroso, na Providência – em direção ao Instituto Central do Povo (ICP) – Rua Rivadávia Correa, 188 -, na cidade do Rio de Janeiro.

Em entrevista a Adital, Nelisanda Trentin, do Núcleo de Justiça e Direitos da ONG FASE – Solidariedade e Educação, conta que a atividade busca garantir a memória do Morro da Providência, a mais antiga favela do país, presente na herança da chegada dos negros escravos na região portuária carioca. O Morro, que também é o berço do samba, é um local que tem muita história e cultura para oferecer ao Brasil.

O objetivo da Ciranda da Resistência é mostrar aos visitantes e habitantes da região que o Morro da Providência não é um lugar abandonado e degradado, mas que possui um grande valor cultural e humanitário que não pode ser negado.

Nelisanda explica que a caminhada e as reivindicações “estão acontecendo em contraponto aos grandes projetos de desenvolvimento realizados nos últimos anos na região, que ludibriam a população com o ideal de revitalização, como se na região não houvesse vida. Quando, na verdade, vêm acabar com a vida e destruir a sua memória”.

Entre as violações denunciadas pelos moradores, a principal delas são as remoções de famílias e casas. Tudo isso por conta de projetos como o Porto Maravilha, Porto Olímpico e Morar Carioca. “Isso acarreta numa destruição de laços familiares e da memória de uma região que tem em si um grande valor cultural”, acrescenta o membro do Núcleo de Justiça e Direitos.

As remoções fazem com que os despejados se desloquem para regiões próximas, que ficam, segundo Nelisanda, aproximadamente 50 quilômetros da região portuária. Essa remoção destrói laços familiares e torna os moradores os principais interessados em conhecer a intenção dos projetos vindos para a região, além de reforçar suas posições contra as remoções.

Outra violação grave ocorrida na região é a falta de consulta popular sobre os projetos instalados. Além disso, há o não reconhecimento do quilombo urbano Pedra do Sal.

“Os grandes projetos trazem até como ideia de transformação a criação de um grande museu para representar o Morro da Providência. O morro está vivo, não pode ser mostrado em um museu”, exclamou Nelisanda Trentin.

Após a caminhada, serão realizados debates sobre o direito à cidade, remoções, cultura e memória. A representante da FASE afirma que os moradores estão cientes de seus direitos e estão participando incisivamente das atividades promovidas pelo Fórum Comunitário do Porto – que reúne organizações sociais e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Um exemplo que mostra essa participação ativa é a roda de conversa sobre “O direito à cultura e a memória social da região portuária na fala dos moradores”, onde representantes do fórum e dos moradores falarão sobre as suas articulações para impedir as remoções no Morro, que fica na região central da cidade do Rio de Janeiro.
Também estão previstas apresentações culturais do grupo Afoxé Filhos de Gandhi, roda de capoeira, exposições de fotografias, produção livre de murais e projeção de vídeos.
Veja a programação completa: http://www.fase.org.br/v2/pagina.php?id=3701

Cúpula dos Povos

Evento organizado pela sociedade civil global que acontecerá entre os dias 15 e 23 de junho no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro – paralelamente à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD), a Rio+20.

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