No Brasil, político deixa de terminar obra pra começar outra, diz Lula

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Publicado segunda-feira, 7 de abril de 2003 as 18:52, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta segunda-feira políticos que preferem vincular seus nomes a obras do que dar andamento a trabalhos já em execução.

Na mesma argumentação, Lula lembrou que obras de saneamento básico, importantes para impedir problemas de saúde, muitas vezes são evitadas pelos governantes porque ficam escondidas, impedindo que os nomes dos políticos apareçam.

“No Brasil, o político deixa uma obra que está quase por acabar para começar outra e deixar sua marca, para dizer que foi ele que fez”, disse o presidente Lula em evento no Instituto Butantan, em São Paulo, que marcou a assinatura de convênio para construção de fábrica da vacina contra a gripe no local. O evento fez parte da comemoração do Dia Mundial da Saúde.

“Na disputa menor entre os poderes, quem perde é o povo”, afirmou, lembrando que na campanha prometeu fazer funcionar o que já existe na área da Saúde, ao invés de construir novas obras.

Lula afirmou que de 1995 a 1998, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 300 mil crianças morreram no Brasil por doenças adquiridas por falta de saneamento básico.

“Não tem saneamento básico porque tem que cavar um buraco e atrapalha a população. Depois coloca um tubo e põe terra por cima. Ninguém vai ver. Não dá para colocar o nome. Então preferem fazer pontes e viadutos porque dá para colocar placa”, disse Lula.

De acordo com dados do IBGE, mencionados pelo presidente, o índice de mortalidade de crianças menores de 5 anos é o dobro em habitações precárias do que em residências adequadas.

O QUE É RELEVANTE NAS ESCOLAS

O presidente lembrou ainda o papel da escola no aprendizado das crianças sobre os seus direitos, item que ele considerou mais importante do que matérias usuais, como História.

“O que é necessário é que a gente possa determinar, enquanto Estado e União, uma política que faça com que a juventude tenha nas escolas não apenas a informação de que Cabral descobriu o Brasil, porque isso é menos relevante”, afirmou.

“O mais relevante é saber que precisa comer bem, que tem direitos que estão na Constituição, que tem direitos que estão no Estatuto da Criança e do Adolescente e isso muitas vezes ela não aprende”.

Com investimentos de 52,3 milhões de reais, divididos entre a União, o Estado de São Paulo e o Butantan, a nova fábrica tem por objetivo tornar o Brasil auto-suficiente na produção da vacina em 2006, quando a fabricação deve atingir 17 milhões de doses. Hoje, a vacina é importada de laboratório da França.

No discurso, o presidente aproveitou a menção ao convênio para defender a substituição das importações por produtos produzidos no Brasil.

O ministro da Saúde, Humberto Costa, também presente ao evento, afirmou que o país vai economizar 27 milhões de dólares (o equivalente a 85,18 milhões de reais) com a produção local das vacinas.

Além de Costa, o presidente estava acompanhado de sua mulher, Marisa. Estavam presentes ainda o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT).

NO MEIO DAS CRIANÇAS

A cerimônia contou com a participação de várias crianças. Lula recebeu um boné e uma bandeira do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, dados pelo menino Tiago Lenin de Paula, do Movimento dos Sem Terrinha. O presidente permaneceu apenas alguns minutos com o boné, tempo suficiente para ser fotografado.

Ao menino Pedro Ivo, disse que atenderia seu pedido e marcaria um jogo de futebol, mas não agora. “Estou meio contundido agora pela bursite, mas é passageiro”. O presidente voltou a mencionar a dor no ombro ao dizer que está procurando uma vacina para combatê-la.

O presidente passaria o dia em São Bernardo do Campo (SP), onde comemora o aniversário da primeira-dama. Na noite desta segunda-feira, faz pronunciamento, já gravado, em cadeia nacional de rádio e TV, quando deve realizar um balanço dos primeiros cem dias de governo.

Na próxima t