Neymar, Falcao e Stoch disputam gol mais bonito

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Publicado segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 as 13:30, por: cdb
Neymar
Neymar marca gol contra a Argentina no Superclássico das Américas

Conquistar a Copa do Mundo da Fifa é a melhor forma de deixar uma marca indelével na história do futebol. O húngaro Ferenc Puskás, vice-campeão da edição de 1954, não atingiu tal honraria. Mas seus 625 gols em 631 jogos pelos clubes onde atuou e os outros 84 anotados nas 85 partidas pela seleção de seu país se encarregaram da tarefa. Por isso foi adotado o nome do craque no prêmio pelo gol mais bonito do ano.

Para a edição de 2012 do Prêmio Puskás da Fifa, dez  haviam sido selecionados por especialistas da Comissão de Futebol da Fifa. Após uma primeira fase de votações, apenas três continuam na briga: Neymar, o colombiano Radamel Falcao e o eslovaco Miroslav Stoch.

Criado em 2009, o prêmio vem sendo entregue anualmente durante a Gala da Bola de Ouro Fifa ao autor do mais belo chute certeiro da temporada. O português Cristiano Ronaldo foi o primeiro a ficar com o troféu, sendo seguido pelo turco Hamit Altintop em 2010 e pelo brasileiro Neymar em 2011.

Os três finalistas já fizeram suas partes alegrando o planeta bola com sua categoria. A votação será feita através do site oficial da Fifa. O gol que receber o maior número de votos — cada usuário pode votar apenas uma vez — ficará com o Prêmio Puskás, a ser entregue no dia 7 de janeiro, quando a votação se encerra e a Gala da Bola de Ouro Fifa se celebra em Zurique, na Suíça.

Sexto sentido

A grande verdade é que o próprio Puskás teria muita dificuldade em escolher um vencedor. “Ele era o melhor entre nós, tinha um sexto sentido para o futebol”, declarou Nándor Hidegkuti, outro grande nome do esporte na Hungria. “Se houvesse mil e uma opções, ele escolhia a milésima primeira.” Ao que parece, Neymar tem o mesmo dom. Quando o craque recebeu a bola no campo de defesa do Santos, em jogo contra o Internacional, era difícil imaginar que, dez segundos depois, ele estaria empurrando a bola para o fundo da rede. Pois foi esse o tempo que o jovem atacante precisou para fazer fila nos zagueiros com uma impressionante explosão e dar um toque sutil por cima do goleiro.

O feito colocou Neymar novamente entre os finalistas do prêmio. “Estou muito feliz por participar do prêmio para o gol mais bonito pelo terceiro ano consecutivo”, declarou o atacante brasileiro em seu site pessoal após o anúncio dos três candidatos selecionados. “Fiquei muito feliz que tenham votado (em mim) e continuo contando com a ajuda de todos vocês. Obrigado mais uma vez pelo carinho.”

Mas a concorrência não fica atrás, e o gol de Falcao também certamente teria impressionado Puskás, conhecido pela precisão e a potência de seu pé esquerdo. O centroavante do Atlético de Madri pode até ser destro, mas o gol feito por ele no amistoso contra os compatriotas do América de Cáli apresentou ambas as características do ícone húngaro. O craque colombiano fez ótimo uso dessas qualidades, emendando um forte voleio no ângulo. “Foi um cruzamento perfeito do Diego, que apontou onde colocaria a bola”, descreveu o artilheiro ao site oficial do clube madrilenho. “Quando a bola chegou, vi que a melhor opção seria bater de voleio. Quando a acertei, ela foi para o gol com bastante velocidade e… golaço, um supergol!”, exclamou sem falsa modéstia.

Decisão acertada

“Golaço”, aliás, foi a melhor definição para muitos dos 238 gols marcados por Puskás com a camisa do Real Madrid, grande parte deles de longa distância. “Ele tinha uma pontaria excepcional”, recordou Raymond Kopa, companheiro de equipe do atacante húngaro durante a temporada que passou no clube mais vitorioso da Europa. “Todos os goleiros espanhóis tremiam quando ele ajeitava a bola na entrada da área ou na intermediária. Ele sempre foi muito perigoso.”

Já os arqueiros turcos acabaram aprendendo a temer outro finalizador, Miroslav Stoch, meio-campista do Fenerbahçe. Isso graças ao chute de primeira que o jogador acertou de fora da área contra a meta do Gençlerbirligi. “Foi o gol mais bonito que já marquei na carreira”, admitiu ao FIFA.com o eslovaco, também especialista em bater de longe. “Foi um cruzamento fantástico de meu ex-companheiro Alex. A bola chegou e eu estava na meia-lua da grande área. Não podia dominar porque dois defensores vinham em minha direção. Então, minha única opção foi chutar direto para o gol, pegar a bola de primeira. Acredito que tenha sido a decisão acertada.”

Pois a presença de Stoch entre os três finalistas mostrou que sim. “É uma grande honra estar entre os três melhores, e fico ainda mais honrado considerando que os dez gols escolhidos eram um mais bonito do que o outro”, completou o jogador do clube turco. “Quero agradecer a todas as pessoas que votaram em mim e espero continuar contando com o voto de todos.”

Como não custa nada lembrar, é seu voto que decidirá qual desses três artistas da bola verá sua obra ficar definitivamente para a posteridade, além de ter seu nome gravado para sempre junto ao de Ferenc Puskás no esporte mais popular do planeta.