Netanyahu quer a guerra

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Publicado quinta-feira, 9 de abril de 2015 as 17:25, por: cdb
Pelo jeito o primeiro-ministro de Israel quer mesmo outra guerra no Oriente Médio, desta vez com o Irã
Pelo jeito o primeiro-ministro de Israel quer mesmo outra guerra no Oriente Médio, desta vez com o Irã

Dizem que Barack Obama detesta Benjamin Netanyahu, mais conhecido como Bibi, o Primeiro Ministro de Israel.

Se é verdade, a julgar pelos comentários que tenho lido na imprensa internacional, Obama tem uma boa dose de razão, pois torna-se mais claro, dia após dia, que Netanyahu está empenhado em provocar uma nova guerra no Oriente Médio.

Digo nova porque Netanyahu foi uma das vozes mais altas em favor da invasão do Iraque, declarando que ela solucionaria “um grande problema”.

Que problema era este, talvez só ele saiba. Os Estados Unidos, sob o falso pretexto das “armas de destruição em massa” meteram-se numa enrascada pela qual pagam caro até hoje.

E nem só os Estados Unidos. A invasão do Iraque, estopim do conflito entre muçulmanos sunis e xiitas, foi a semente do Estado Islâmico que hoje criou um problema cuja solução parece cada vez mais distante.

Para Netanyahu, a solução, outra vez, é mais guerra. Ele quer levar os Estados Unidos a bombardearem o Irã, como “medida preventiva” para evitar que esta nação, governada por xiitas, consiga a bomba atômica.

Como sempre, os argumentos de Netanyahu, como ficou claro outro dia em um “op-ed” do Embaixador de Israel nas Nações Unidas, publicado no New York Times, são no sentido de que qualquer crítica ao país é “anti-semitismo”.

O embaixador israelense argumentou que a ONU de hoje é bem diferente daquela dos anos 50, pois sistematicamente censura a política exterior do país, que consiste antes de mais nada em defender seu direito de continuar a ocupar territórios estrangeiros.

Não ocorreu ao embaixador israelense, como não ocorre a Netanyahu, que a ONU mudou porque hoje tem um grande número de países independentes que antes não existiam – eram colônias de impérios europeus.

Freud explica: Israel, com Netanyahu à frente, identifica-se com uma política colonialista e imperialista.

Netanyahu quer atacar o Irã, mas sabe que não pode fazê-lo sozinho. Por isto, quer arrastar os Estados Unidos na aventura.

A isto opõe-se Obama, com o acordo que levantará aos poucos sanções econômicas contra o Irã, em troca de transparência nas atividades de suas usinas nucleares, garantindo uma “margem de segurança” de um ano, antes que ele consiga uma bomba atômica.

Acordo que aliás não é apenas dos Estados Unidos, pois também envolve o Reino Unido, a França, a Rússia, a China e a Alemanha.

Pela lógica de Netanyahu, todas esta nações são “anti-semitas”.

José Inácio Werneck, jornalista e escritor, trabalhou no Jornal do Brasil e na BBC, em Londres. Colaborou com jornais brasileiros e estrangeiros. Cobriu Jogos Olímpicos e Copas do Mundo no exterior. Foi locutor, comentarista, colunista e supervisor da ESPN Internacional e ESPN do Brasil. Colabora com a Gazeta Esportiva. Escreveu Com Esperança no Coração sobre emigrantes brasileiros nos EUA e Sabor de Mar. É intérprete judicial em Bristol, no Connecticut, EUA, onde vive.

Direto da Redação é um fórum de debates, editado pelo jornalista Rui Martins.