Negociadores querem salvar acordo eleitoral na Venezuela

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Publicado terça-feira, 22 de abril de 2003 as 16:34, por: cdb

Negociadores de vários países da América tentam nesta terça-feira salvar um acordo para a realização de um referendo sobre a permanência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, no poder. O governo havia aceitado o acordo, mas parece inclinado a recuar.

Representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Carter Center, que mediaram o acordo entre governo e oposição, se penduraram no telefone para negociar depois que o partido de Chávez exigiu uma revisão no acordo, horas antes da assinatura, prevista para esta terça-feira.

“Isso realmente fez as coisas recuarem. Vamos precisar de mais negociações e de mais mesas-redondas agora”, disse uma fonte que participa do processo.

A OEA anunciou o acordo em 11 de abril, exatamente um ano depois do fracassado golpe militar que afastou Chávez do governo durante dois dias, culminando uma série de manifestações por sua renúncia.

O acordo foi o primeiro resultado concreto das negociações entre o ex-coronel Chávez e seus opositores, que o acusam de agir de forma corrupta e ditatorial. Segundo a Constituição, a partir de 19 de agosto, quando Chávez entra na segunda metade de seu mandato, um referendo sobre sua permanência pode ser convocado.

Para isso, a Constituição precisa recolher as assinaturas de 20% do eleitorado. Ainda não foi marcada a data para o referendo.

Líderes da oposição, que acusam Chávez de agir deliberadamente para impedir a votação, disseram estar esperando que o governo esclareça sua posição. “O acordo não será assinado hoje (22). Eles precisam nos dizer qual é a posição do governo agora”, afirmou Manuel Cova, líder sindical e um dos representantes da oposição nas negociações.

O vice-presidente José Vicente Rangel já deixou claro que o governo não tem pressa para fechar o acordo. Segundo ele, as autoridades precisam de mais tempo para analisar seus termos e consultar seus simpatizantes.

“Respeitamos a impaciência da oposição, mas obviamente não a compartilhamos”, disse Rangel em nota oficial nesta terça-feira. “Em tempos de negociação, a pressão deve ser excluída”.

A confusão aumentou na última segunda-feira (21), quando deputados do Movimento Quinta República, o partido de Chávez, exigiram uma revisão do acordo.

Chávez, que além do golpe sobreviveu também a uma greve geral entre dezembro e janeiro, disse que o Congresso deve apontar um novo Conselho Eleitoral Nacional, que teria a tarefa de marcar data para o referendo e organizá-lo.

Seis países, inclusive o Brasil e os Estados Unidos, apoiaram os esforços de vários meses da OEA para atingir o acordo.

Os mediadores ainda estão buscando um local adequado para as novas negociações, depois que uma bomba explodiu no prédio de Caracas onde as últimas reuniões aconteceram. Ninguém assumiu a autoria do atentado, um dos vários ocorridos na capital nos últimos três meses.