Negociadores afirmam que fim do impasse em Belém só depende de Arafat

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Publicado terça-feira, 7 de maio de 2002 as 00:00, por: cdb

O fim do impasse na Igreja da Natividade, em Belém, esbarra apenas em uma objeção feita pelo presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, revelaram fontes envolvidas nas negociações. Israel exigiu a extradição de 13 homens apontados como “terroristas veteranos” para um país europeu, possivelmente a Itália; Arafat aceita não mais do que seis, segundo as fontes.

Ainda assim, palestinos que estão dentro da igreja, erguida no local onde Jesus Cristo teria nascido, na Cisjordânia, disseram que o acordo pode ser fechado ainda nesta segunda-feira. Já as Forças de Defesa de Israel (IDF) ressaltaram que o cerco iniciado em 2 de abril, durante a operação que visava a erradicar a “infra-estrutura terrorista” dos palestinos, só será suspenso quando Arafat assinar pessoalmente o acordo. “O principal problema está no lado de lá”, declarou o coronel Olivier Rafowicz, das IDF.

Rafowicz esquivou-se de comentar a evolução das negociações ou qual seria o obstáculo a um acordo. Entretanto, o ministro da Defesa de Israel, Benjamin Ben-Eliezer, disse à Rádio Israel que o impasse poderia terminar “em poucas horas”.

A proposta levantada nas negociações inclui a transferência de entre 30 e 40 palestinos que se encontram no interior da igreja para Gaza, onde seriam julgados por envolvimento em atividades terroristas contra Israel. Outros 85 palestinos retidos na basílica e que não são procurados por Israel teriam liberdade imediata.

O frei David Jaeger, porta-voz dos monges franciscanos, confirmou que a principal divergência é quanto ao número de pessoas que serão deportadas para a Europa. “Todo o debate atual gira em torno disso”, afirmou Jaeger. “Dos 39 procurados, a maioria seria mandada para Gaza e um pequeno número – seis ou sete, segundo os palestinos, e 13, para Israel -, iria provavelmente para a Itália, cruzando a Jordânia”.