Negociações sobre comércio agrícola emperram em reunião da OMC

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Publicado sábado, 15 de fevereiro de 2003 as 10:31, por: cdb

Ministros de mais de 20 países fracassaram na tarefa de transpor as profundas divisões sobre reformas do comércio na agricultura no sábado, levando a Organização Mundial do Comércio (OMC) de volta à estaca zero, enquanto milhares de agricultores protestavam.

O fracasso no estabelecimento de um acordo sobre a agricultura pode ameaçar a última rodada das negociações para liberalizar o comércio agrícola lançadas em Doha (Qatar), em 2001, disse o porta-voz da OMC, Keith Rockwell.

“Está claro que há uma diferença de posições entre os integrantes de nossa organização sobre este assunto. Perder o prazo das negociações agrícolas colocaria, na minha opinião, um sério risco sobre todo o processo”, afirmou Rockwell depois da primeira sessão de trabalho.

Depois das conversações de abertura sobre a questão do comércio agrícola em Tóquio, uma fonte da União Européia (UE) disse à Reuters que o Chefe do Comitê de Negociações Agrícolas da OMC, Stuart Harbinson, havia concordado, ante forte oposição, a refazer sua proposta de reforma.

O plano de Harbinson, divulgado no início da semana, propunha o corte dos altos impostos de importação sobre produtos agrícolas, sem colocar um teto para essas taxas.

O plano não agradou nenhum dos dois campos principais das negociações – os Estados Unidos e outros seis grandes exportadores que querem uma liberalização agressiva – e o Japão e a UE, mas protecionistas, defensores de uma mudança menos dramática.

“Todos concordaram que foi um bom catalisador para o debate”, disse uma fonte da UE. Mas como os membros acreditaram que não poderia ser formada uma base para as negociações, Harbinson concordou em rever sua proposta.

Os debates sobre a velocidade e até onde as barreiras para o comércio agrícola podem ser derrubadas devem dominar os três dias da reunião.

O prazo final para serem resolvidas as controvertidas questões agrícolas é 31 de março e os ministros permanecem tão divididos quanto antes.

Os ministros também começaram a discutir propostas para permitir que países em desenvolvimento importem remédios patenteados mais baratos, incluindo drogas capazes de salvar vidas.

PROTESTO

Além do prazo prestes a estourar, também fizeram pressão sobre as negociações os milhares de agricultores e manifestantes antiglobalização que se reuniram no centro de Tóquio, com tratores e faixas pedindo regras “justas” de comércio agrícola.

“O que queremos dizer que à OMC é que no Japão nós temos uma agricultura que precisa ser protegida. O plano de Harbinson levaria a agricultura japonesa ao colapso e por isso não podemos aceitá-lo”, disse Nobuo Ando, 54, que comandou um grupo de 150 agricultores proveniente de Kamakura, perto de Tóquio.