Negociações agrícolas marcam início da Conferência em Cancún

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Publicado quinta-feira, 11 de setembro de 2003 as 10:10, por: cdb

O grupo dos 21 países em desenvolvimento, que defende uma ambiciosa liberalização do comércio agrícola, ganhou na quarta-feira sua primeira batalha na conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Cancún, após a entidade decidir considerar seu ponto de vista como base para as negociações, afirmou o chanceler brasileiro, Celso Amorim.

“Vencemos a primeira batalha. Estou mais satisfeito hoje do que estava ontem”, disse Amorim à imprensa.

“Pelo menos agora as idéias serão discutidas em pé de igualdade.”

Fazem parte do G-21 Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, China, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Índia, México, Paraguai, Peru, Filipinas, Tailândia, África do Sul, Cuba, Paquistão, El Salvador, Venezuela e Egito.

O chanceler mexicano, Luis Ernesto Derbez, que preside a conferência ministerial da OMC em Cancún, destacou que várias posições serão consideradas nas negociações agrícolas, e não apenas o rascunho oficial elaborado pelo presidente do Conselho Geral da OMC, o uruguaio Carlos Pérez del Castillo. O rascunho se baseia no plano conjunto apresentado pela UE e Estados Unidos e sugere o fim das subvenções à exportação de produtos agrícolas específicos.

Derbez disse à imprensa que pediu ao ministro de Cingapura George Yeo Yong-Bon, mediador das negociações agrícolas, “para observar os diferentes pontos de vista”, em resposta à pergunta se a proposta do G21 seria considerada.

A União Européia (UE), por sua vez, afirmou que não se nega a debater as propostas sobre agricultura apresentadas pelos países em desenvolvimento reunidos no Grupo dos 21, mas considera que são “equivocadas”.

“Em certos aspectos, essas propostas são equivocadas, mas nós estamos dispostos a debatê-las. Alguns elementos estão muito desequilibrados”, comentou Gregor Kreuzhuber, porta-voz do comissário europeu de Agricultura, Franz Fischler.

“Concordamos em dar vantagens aos países em desenvolvimento, mas temos o sentimento de que alguns poderosos exportadores querem criar uma situação, na qual o mundo desenvolvido daria tudo”, disse o representante no primeiro dia da conferência ministerial da OMC.

O Grupo dos 20 (G-20), que teve a adesão do Egito ontem e se transformou no G-21, nasceu da resposta de alguns países em desenvolvimento à proposta comum apresentada em 13 de agosto pela UE e Estados Unidos para sair do impasse da negociação agrícola.

O tema é considerado como elemento-chave para o êxito das negociações comerciais multilaterais lançadas em Doha em novembro de 2001.

O documento dos 21, divulgado em Genebra num primeiro momento, no dia 25 de agosto, insiste quase que exclusivamente nos compromissos que os países desenvolvidos devem ter, como a eliminação total das subvenções à exportação.

O representante para o Comércio americano Robert Zoellick destacou hoje que os Estados Unidos estão prontos para realizar importantes concessões nas negociações sobre a liberalização agrícola desde que outros países façam ao mesmo.

“Queremos eliminar os subsídios às exportações e estamos prontos para reduzir consideravelmente nossas subvenções e tarifas alfandegárias (no setor agrícola) se outros fizerem o mesmo”, destacou Zoellick, em seu discurso na abertura da conferência da OMC.

Lembrando a “recuperação do crescimento econômico americano” há alguns meses, acrescentou que “a liberalização do comércio pode tirar proveito desta recuperação, isto pode ajudar a produzir um crescimento duradouro e mais equilibrado”.

“O comércio pode trazer crescimento e desenvolvimento para os países que aceitem abrir suas economias e suas empresas”, avaliou Zoellick. “Se queremos ter sucesso nos próximos dias, devemos cooperar. Cada um de nós tem um voto e uma responsabilidade”, concluiu.