Não há o que explique os spreads no Brasil

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Publicado segunda-feira, 9 de abril de 2012 as 10:03, por: cdb

A questão dos altos juros bancários no país precisa ser debatida e enfrentada. O tempo do Brasil encurta. Estamos diante do agravamento da situação econômica mundial. No país, temos inflação em queda. Pesquisa Focus realizada pelo Banco Central (BC) divulgada hoje, estima uma redução da taxa anual em 2012 de 5,27% para 5,06%.

Quer dizer, até os representantes do mercado financeiro – eles é que são ouvidos nesta pesquisa –  já preveem sua queda. Por outro lado, não temos décadas para dar um salto educacional e nem tecnológico; muito menos anos para construir uma infraestrutura e uma logística à altura da 5ª economia do mundo. Tampouco vamos enfrentar a guerra comercial e cambial sem mudar nossa base tecnológica.

Assim, investir é a principal alavanca que garantirá o crescimento. E, enquanto o pré-sal não chega, temos que reduzir os juros para diminuir o custo financeiro do Brasil e, consequentemente, os impostos e o serviço da dívida interna, que hoje equivale a quase 6% do PIB. Sem isso, não vamos enfrentar e superar o desafio do novo mundo que surge.

Não se explicam spreads de até 32%

Alegar, como fazem alguns, que os spreads de 32% se justificam pela inadimplência, impostos, custos administrativos e compulsórios não explica como a inflação caiu de 5,24% ao mês para 4,5% e o spread se manteve. Na verdade, a inadimplência média caiu ou se manteve. Segundo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – exatamente os bancos que concentram 55% dos clientes pessoas físicas nos grupos situados entre a classificação B e H – há um número menor de clientes inadimplentes hoje que há três meses.

E por falar em os custos administrativos, eles foram cobertos pela cobrança escorchante dos serviços. A tese dessas mesmas vozes também não explica porque, quando na crise de 2008-09, o compulsório caiu e o spread, de novo, manteve-se. A experiência na crise anterior foi a de que os bancos públicos reduziram seus juros, aumentaram seus ganhos, expandiram suas operações e ganharam mais clientes. Assim, devemos persistir nesse caminho e exigir da banca privada juros menores já.