Nada pode ser pior do que 2003, diz Jarbas em relação ao governo Lula

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Publicado terça-feira, 23 de dezembro de 2003 as 16:26, por: cdb

Embora mantenha o tom crítico com relação ao rigor fiscal praticado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste primeiro ano de mandato, o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), reconheceu nesta terça-feira que o caminho escolhido pela equipe econômica foi acertado.

– Foi uma opção que eles fizeram em termos de macroeconomia correta. Não sei se o rigor precisava ser tanto, mas o caminho era esse. Hoje as contas estão equilibradas e o País está pronto para crescer – destacou.

Na avaliação do governador,  já é possível traçar um cenário mais otimista para o próximo ano.

– Não acho que vai ser um mar de rosas. Mas nada pode ser pior do que 2003 – opinou.

– Com as contas do País equilibradas, as condições para retomada do crescimento e do desenvolvimento econômico estão dadas – completou. 

Durante todo o ano, Jarbas fez coro aos demais colegas contra a política de contenção de gastos praticada pelo Governo Lula. As críticas eram sobretudo à baixa execução orçamentária. Para conseguir alcançar uma meta de superávit de 4,25% do PIB, o Governo contingenciou R$ 319 milhões do Orçamento da União de 2003, deixando os estados à mingua, às vésperas de um ano eleitoral.

Não foram poucas as vezes em que Jarbas deixou Brasília, depois de um dia de peregrinações por ministérios, sem qualquer perspectiva de liberação de recursos. Tanto que chegou a desabafar certa vez.

– Não espero mais nada deste Governo neste ano – disse.

Mas apesar das críticas, o governador pernambucano sempre manteve um bom relacionamento com o Governo e o próprio presidente Lula. Tanto que foi o único a entregar as propostas de investimentos no próximo ano no estado pessoalmente ao presidente, num almoço no Palácio do Alvorada, para serem incluídas no Orçamento.

A proximidade acabou criando até problemas políticos para Jarbas. Os aliados, do PFL e PSDB, não gostaram de vê-lo tão próximo do presidente petista. Assim como os partidário de Lula cobraram um distanciamento.

No próximo ano, Jarbas disse esperar manter um bom diálogo com o presidente. Sobre a possibilidade de o relacionamento azedar por causa das eleições municipais, já que a disputa pela Prefeitura da capital deverá ficar centralizada entre o candidato do governador e o atual prefeito João Paulo (PT), Jarbas avisa: “Não vou contribuir para azedar. Agora, o que o PT vai fazer eu não sei”.

O governador, que tem evitado falar nas eleições municipais, desta vez não perdeu a oportunidade.

– Estão comentando até que nós (PT e PMDB) estaremos juntos nas eleições do próximo ano. Mas essa possibilidade não existe. Agora, no segundo turno é outra eleição – disse.

 A pretensão de Jarbas em continuar mantendo um bom diálogo com o Governo, entretanto, não pode ser confundida com uma mudança de posição. Ele avisa que continua crítico à adesão do seu partido ao Governo.

– O PMDB tem ajudado o presidente no Congresso e pode muito bem continuar assim, sem necessariamente ocupar pastas – disse.