Nada de lenda, só a história do Rei Arthur

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Publicado quinta-feira, 16 de setembro de 2004 as 16:25, por: cdb

Depois do enorme sucesso da trilogia do Senhor dos Anéis o cinema vive uma onda de épicos. Rei Arthur, do diretor Antoine Fuqua, é um desses filmes que tenta pegar carona nessa febre.
O projeto tinha como objetivo contar a história, e não a lenda, do Rei Arthur. Começa aí o problema do filme.  A lenda do menino que retirou a espada Excalibur da pedra e se tornou rei da Grã-Bretanha está entranhada no público.

Quando Clive Owen (Arthur) aparece como um general romano, o público começa a estranhar, e muito, a história que achava conhecer. A coisa piora bastante quando a indefesa Guinevere (Keira Knightley) – pelo menos é o que está na lenda – surge com uma guerreira disposta a lutar pela unificação da Grã-Bretanha.

Se tudo isso não bastasse para destruir os sonhos dos apaixonados pela lenda, um dos mais famosos triângulos amorosos da história não existe no filme. Lancelot (Ioan Gruffudd) está no projeto, é um dos cavaleiros de Arthur, mas não existe nada entre ele e a bela Guinevere.

Aliás, Guinevere, quer dizer a inglesa Keira Knightley, é um dos maiores problemas do filme. Ela se tornou a queridinha de Hollywood depois de Piratas do Caribe, mas em Rei Arthur a moça exagera nas caras e bocas.

Deixando tudo isso de lado o filme não ruim, pelo con-trário. As cenas de batalha, especialmente, a do gelo é muito boa, tem aquele clima de épico que eternizou as cenas de batalhas O Senhor dos Anéis. Outro ponto que conta a favor do filme é a falta de expressão de Clive Owen, é perfeito para o personagem.

O filme vai bem até a batalha final. Nessa seqüência tudo começa a sair dos eixos. Os clichês começam a pular em cena aos montes e as lutas passam a ter finais completamente inacreditáveis. Destaque para a flecha que inicia a cena.

O filme é bom de batalhas – se o espectador não souber nada sobre a lenda do Rei Arthur ele fica muito melhor -, mas peca na cena final, o que acaba por obscurecer o restante do projeto. Mas se você é daqueles que adora uma batalha com espadas e flechas vale a pena ir ao cinema para ver a produção.