Na Argentina, Grupo Clarín perde mais uma para Cristina Kirchner

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Publicado quarta-feira, 24 de agosto de 2011 as 13:18, por: cdb

Na Argentina, Grupo Clarín perde mais uma para Cristina Kirchner

Por: Redação da Rede Brasil Atual

Publicado em 24/08/2011, 15:42

Última atualização às 15:42

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São Paulo – Os dois principais grupos de comunicação da Argentina perderam em mais uma frente de batalha contra o governo de Cristina Kircher. A Corte Suprema rejeitou recurso apresentado pelas empresas controladoras do Clarín e do La Nación, os dois jornais de maior circulação do país, contra a medida da Secretaria de Comércio Interior que obriga a prática de preço igualitário na venda do papel utilizado em publicações.

Os dois veículos, que ainda controlam a Papel Prensa, única empresa responsável pela distribuição do papel-jornal na Argentina, entendem que o governo de Cristina, agora também acionista da corporação, não tem competência para determinar tal medida. A mais alta corte do país, no entanto, entende que não pode julgar uma questão cujo mérito ainda está em aberto, uma vez que a transferência de controle da Papel Prensa não foi avaliada.

Para o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, a diferença de preços praticada pela empresa, tornando mais barato o papel vendido a Clarín e La Nación, funciona como um mecanismo de exclusão dos veículos de menor porte. “As médias e pequenas companhias, que pagam preços não competitivos pelo papel, se veem obrigadas a diminuir a quantidade de páginas que publicam, e por consequência o conteúdo como um todo”, advertiu Moreno em sua resolução, tomada há dois anos.

Apesar da contestação judicial, desde o ano passado os acionistas privados da Papel Prensa começaram a cumprir a determinação. O governo federal, no entanto, quer que sejam ressarcidos os valores gastos pelos veículos no período anterior.

Histórico

A briga entre o Clarín, grupo mais poderoso de mídia da Argentina, e os Kirchner remonta ao período da gestão de Néstor Kirchner, ex-presidente falecido no último ano. Após um tempo de boa convivência, Néstor e os donos do conglomerado se desentenderam, dando início a uma forte disputa que culminou na tomada de uma série de medidas que visam a democratizar a comunicação no país. O ponto alto foi a aprovação da Lei de Meios, que tenta impor limites à concentração de veículos de comunicação nas mãos de poucas empresas.