Musharraf pede aos EUA que acabe logo com ataques aéreos ao povo afegão

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 9 de outubro de 2001 as 16:12, por: cdb

O presidente Pervez Musharraf do Paquistão deixou claro que desejava que a campanha militar aliada no vizinho Afeganistão fosse breve e advertiu aos Estados Unidos para que não pressionem para que as transformações políticas aconteçam de maneira muito rápida de forma que os clérigos islâmicos do Taleban dêem espaço para um novo governo em Cabul que seja inimigo do Paquistão.

Ao fazer estas observações em uma coletiva de imprensa, o líder militar pareceu se colocar contra os planos e objetivos para a guerra no Afeganistão que foram elaborados em Washington.

Ele disse que a guerra aérea deveria terminar em “um ou dois dias” se possível, e que deveria haver poucos danos a civis ou suas propriedades, na medida do possível.

Horas depois que o general fez seus comentários, altos funcionários disseram que ele não pretendia ser interpretado literalmente quando falava do fim tão rápido dos ataques aéreos. Na verdade, disseram, o que ele quis dizer era que a parte “visível” dos ataques norte-americano e britânico a cidades afegãs, em que a cobertura televisionada das explosões durante a noite é vista em todo o mundo, deveria ser concluída em breve, não mais do que uma semana ou dez dias, enquanto outras operações aéreas “invisíveis” para destruir esconderijos e fortalezas do Taleban, de Osama bin Laden e do al-Qaeda devem continuar.

Musharraf disse que as forças de oposição afegãs da Aliança do Norte não deveriam ser autorizadas a “tirar proveito” dos ataques aéreos dos aliados contra posições do Taleban avançando para posições que estão a 55 km de Cabul.

Enquanto continuavam os ataques aéreos na segunda-feira à noite, a Aliança do Norte, hostil ao Paquistão, adiou negociações políticas pendentes com relação a um governo pós-Taleban aceitável ao Paquistão.

Em seus contatos com Washington, o Paquistão exigiu que a Aliança do Norte, composta em sua maioria por grupos das minorias tajique, usbeque e hazara se unisse a uma coalizão mais abrangente sob a liderança da maioria pashtu do Afeganistão, que divide fortes laços tribais com os pashtus do Paquistão.

Mas em um sinal de consideração para com Washington, ele também disse publicamente pela primeira vez que o Paquistão aceitaria o rei afegão exilado, Muhammad Zahir Shah, um pashtu, como líder do novo governo.

O general também completou uma reforma do exército paquistanês que isolou oficiais de alta patente que forneceram seu apoio às operações militares no Afeganistão.

Um general aposentado descreveu a reforma como um segundo golpe. Em outubro de 1999, Musharraf herdou os resultados de um golpe militar ocorrido quando fugiu de casa quando foi fazer uma visita a outro país. Três generais poderosos realizaram o golpe nas sombras políticas, mas mantiveram um veto efetivo sobre a política.

Nas últimas 48 horas, os três oficiais que arquitetaram o golpe de 1999 foram afastados.