Municípios decretam situação de emergência no Rio Grande do Sul

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Publicado quarta-feira, 9 de janeiro de 2002 as 18:54, por: cdb

Quinze municípios gaúchos já decretaram situação de emergência por causa da estiagem. O balanço, feito pela Defesa Civil do Estado, foi atualizado esta tarde e a tendência é de crescimento deste número. A falta de chuvas não é generalizada, mas começa a preocupar algumas micro-regiões do Estado, descreveu o presidente da Comissão de Grãos da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Jorge Rodrigues.

Em Tupanciretã, no centro-oeste do Estado, a 425 quilômetros de Porto Alegre, em algumas áreas não chove há 40 dias, disse o secretário municipal de Agricultura, Erton Vargas. Cerca de 1,5 mil dos 8 mil hectares cultivados com milho já estão perdidos, relatou o secretário. Outros 4 mil hectares estão em condições críticas e cerca de 2 mil hectares já estão em fase de colheita.

Tupanciretã semeou a maior área de soja do Estado em um mesmo município na safra 2000/01, com 80 mil hectares. Na cultura, o secretário estimou as perdas em 15% dos cerca de 87 mil hectares plantados na safra 2001/2002. A produtividade de leite caiu 50% por causa da falta de pastagens, disse Vargas. O escritório da Emater em Erechim (RS) informou que as chuvas são insuficientes nas 50 cidades de sua área de abrangência, no Norte e Nordeste do Rio Grande do Sul, disse o assistente técnico regional Luiz Antônio Busatta. “Há casos que já são críticos, mas não é uma situação generalizada”, observou. Estes 50 municípios cultivaram 238 mil hectares de milho e 230 mil hectares de soja.

Os principais problemas estão na lavoura de milho e nas produções de suínos, aves e gado de leite, descreveu Busatta. Os prejuízos são bastante discrepantes nos municípios atingidos pela estiagem. “Há cidades com perdas de 40% no milho e outras, com 5%”. A falta de umidade do solo poderá representar um problema para os produtores no plantio do milho safrinha. A região de Erechim trabalha pouco com a safrinha, observou o técnico, mas teria condições de começar o cultivo de milho com o fim da colheita de feijão. O plantio da safrinha é recomendado até 15 de janeiro, mas o ritmo de semeadura dependerá das condições climáticas.

Na região de abrangência da Emater de Santa Maria, no Centro-Oeste gaúcho, as cidades mais atingidas pela estiagem são Tupanciretã, Unistalda, Capão do Cipó e Santiago, informou o assistente técnico da entidade Antônio Carlos Miranda. Estas quatro cidades cultivaram cerca de 110 mil hectares de soja e 25 mil hectares de milho, afirmou o técnico. “Aproximadamente 50 produtores já perderam toda a lavoura de milho”, disse Miranda, ressaltando que são agricultores familiares, um sistema tradicional de cultivo na região.

Os municípios afetados são: Tupanciretã, Alecrim, Maximiliano de Almeida, Marcelino Ramos, Tiradentes do Sul, Machadinho, São Borja, Porto Xavier, Garruchos, Porto Vera Cruz, Bossoroca, Unistalda, Santo Antônio das Missões, Rolador e Porto Lucena.