Muitas histórias e apenas um dono

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Publicado sábado, 25 de setembro de 2004 as 10:37, por: cdb

O diretor/produtor/ator Daniel Filho está comemorando 50 anos de seu primeiro filme como ator, Fuzileiro do Amor, lançando mais um projeto, o filme A Dona da História. A adaptação da peça homônima de João Falcão foi sugerida pelo próprio autor a Daniel quando esse lhe pediu um roteiro.

O filme trata, como definiu a estrela da produção, Marieta Severo, “é sobre o momento que todo o ser humano passa na vida, o de se perguntar ‘será que eu poderia ter feito diferente ?'”

O filme foi feito quase todo utilizando o primeiro take de cada cena.
–  Não tenho nada contra fazer outro take, mas o ator se joga menos quando sabe que pode ter diversos takes – explica o diretor.

Essa experiência para Rodrigo Santoro, que vive Luis Cláudio em 1968, foi “Desafiadora e estimulante. E é uma ótima metáfora para o filme e para a vida, tudo se acontece uma vez e você tem que reagir.”

Marieta – que durante dois anos dividiu o palco com Andréia Beltrão fazendo a peça – teve que fazer um trabalho de desconstrução de personagem para construí-lo novamente com Débora Falabella.

–  Tive que apagar tudo que havia feito com a Andréia e montar tudo de novo com a Débora. Foi o verdadeiro trabalho de desconstrução. – contou Marieta.

– Eu havia assistido à peça e sou muito fã da Marieta, fiquei até um pouco nervosa de ser a mesma personagem que ela.  –  disse Débora.

A química entre os quatro atores, principalmente entre Santoro e Débora, é excelente. É um dos grandes encantos do filme, junto com o ambiente colorido dos anos 60.

–  O filme tem um que de Romeu e Julieta, tem cena do balcão, e o baile deles é a passeata, onde eles se conhecem – explica Daniel.

Outro encanto da produção é a trilha sonora, desenvolvida pelo DJ Même, que tem no clássico de Tom Jobim, Chovendo na Roseira, a sua chave. Dois clássicos da música nacional foram regravados para o filme, Canta Brasil, mais conhecido na voz de Gal Costa, ganhou uma nova interpretação de Luciana Mello, e Sandy regravou Chovendo na Roseira. A escolha da cantora foi uma escolhe de Daniel.

–  A voz da Sandy funciona como se a personagem da Débora estivesse cantando, precisava ser uma voz de menina. – justifica.

Daniel é o verdadeiro dono da história, seu dedo está por toda a parte, não apenas na direção e na produção, mas também na escolha da trilha, do elenco. O filme é definitivamente seu. 

Depois de abrir o Festival, A Dona da História  chega aos cinemas em 1 de outubro.