MST monta acampamento em terras de Barra do Piraí

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Publicado sábado, 5 de abril de 2003 as 13:34, por: cdb

Cerca de 50 famílias lideradas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, na madrugada deste sábado, uma faixa de terra às margens da rodovia BR-393, que liga a Via Dutra ao norte do país, próxima à entrada dos distritos de Dorândia e Vargem Alegre, no município de Barra do Piraí. A ocupação, que teve o apoio de militantes do PT, sindicalistas da CUT e comunidades católicas da região, foi pacífica e ocorreu sem qualquer incidente.

A deputada estadual Inês Pandeló (PT) visita o acampamento na tarde deste sábado.

As famílias já estão concluindo a montagem de barracas de lona preta às margens da rodovia e pretendem começar a plantar hortaliças para consumo próprio ainda neste fim de semana. O acampamento foi batizado de Comunidade Terra e Paz, em protesto contra a invasão dos Estados Unidos ao Iraque, segundo explicou o coordenador regional do MST, José Guilherme Gonzaga.

– O acampamento é uma denúncia do latifúndio e um protesto contra a guerra. Queremos apoiar o governo Lula na realização da Reforma Agrária e essas famílias estão à disposição de programas de assentamento na região. Aproveitamos para convidar as comunidades da região a conhecerem e apoiarem o nosso movimento – afirmou o líder dos sem terra.

Campanha Internacional

Durante todo o mês de abril, o MST e os demais movimentos camponeses que fazem parte da Via Campesina em todo o mundo estão realizando marchas, ocupações, palestras e exposições para denunciar o latifúndio e defender a Reforma Agrária. Homenageando os 19 sem terra mortos pela Polícia Militar do Pará no massacre de Eldorado dos Carajás, em 17 de abril de 1996, a Via Campesina Internacional declarou esta data como o Dia Mundial de Luta Camponesa.

Segundo o MST, o Brasil possui 27.556 latifúndios que possuem fazendas acima de 2 mil hectares, cerca de 43% de todas as terras brasileiras – o suficiente para assentar todos os brasileiros sem terra. De acordo com dados da entidade, o país possui o maior latifúndio do planeta, uma área de 4,5 milhões de hectares pertencente à construtora CR Almeida. O MST informou também que a concentração de terras ocasiona o cultivo de apenas 40 milhões de hectares, ou seja, 10% da área total que o país poderia plantar.

Ainda segundo os sem terra, empresas estrangeiras possuem no Brasil 30 milhões de hectares de terra, sendo que a maioria das terras do município de Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, já foi comprada por latifundiários dos Estados Unidos.

– Hoje, mais do que nunca, a reforma agrária é uma política necessária para resolver os problemas de toda a sociedade brasileira e não apenas dos trabalhadores rurais sem terra. A propriedade das terras deve pertencer aos brasileiros, para que possamos produzir alimentos para a população, gerar empregos no campo e mercado interno para a indústria. A reforma agrária tende a melhorar consideravelmente a qualidade de vida de toda a sociedade, através da contenção do êxodo rural, que hoje provoca o inchaço populacional dos centros urbanos, a falta de emprego, fome e o aumento desenfreado da violência – concluiu o coordenador regional do MST, José Guilherme Gonzaga.