MST inicia marchas para lembrar massacre de Eldorado dos Carajás

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Publicado terça-feira, 16 de abril de 2002 as 16:51, por: cdb

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST) iniciou, nesta terça-feira, marchas em diversos estados brasileiros, com ameaças de invasões de terra e de repartições públicas, além de bloqueios de estradas, para marcar os seis anos do massacre de Eldorado do Carajás, estado do Pará, em que 19 agricultores foram mortos em confronto com a Polícia Militar.

No Rio Grande do Sul, o primeiro ato dessa mobilização foi a invasão da Fazenda Bom Retiro, em Júlio de Castilhos, na madrugada de segunda-feira. Horas depois, uma marcha saiu em direção a Hulha Negra, no sul do estado, reunindo cerca de 550 famílias. A coordenação do MST afirmou que o ápice dos protestos deverá ocorrer na quarta-feira, com mobilizações em 22 estados.

Os protestos, entretanto, deverão ir além das fronteiras. Por meio da Via Campesina – organização internacional que congrega movimentos como o do MST – manifestações deverão ser realizadas em outros países, principalmente na Europa. A possibilidade de novas invasões vem colocando em alerta a Federação da Agricultura do Estado (Farsul). Segundo o diretor jurídico da entidade, Nestor Hein, os 130 sindicatos rurais filiados repassam informações quando percebem movimentações de sem-terra em seus municípios.

Os ruralistas encaram com especial preocupação a região de Passo Fundo, uma vez que a Justiça local já deu mostras no passado da disposição de não conceder mandados de reintegração de posse, o que poderia estimular invasões.

O MST não tem deixado o aniversário da tragédia de Carajás passar em branco. No ano passado, o protesto de maior repercussão foi o bloqueio da Ponte Internacional, que liga Uruguaiana a Paso de Los Libres, na Argentina, por 13 horas.

Ruralistas em Hulha Negra resolveram impedir o início de uma marcha do MST nesta manhã. Os produtores acreditam que os sem-terra possam promover invasões na região. O MST acusou os ruralistas de estarem utilizando armas de fogo para intimidá-los e dois agricultores teriam se ferido com balas de borracha durante um suposto tiroteio no início da manhã. Em Arroio dos Ratos, os sem-terra dirigiram-se à Fazenda Polar, onde farão um ato público pedindo a desapropriação da área.

O governo já reagiu contra as invasões de terra promovidas pelo MST. As propriedades ocupadas nos últimos dois dias estão excluídas do programa de reforma agrária. Cinco das 22 áreas já estavam em processo de desapropriação. A medida foi anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário.