MP dos transgênicos recebe críticas de especialistas

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Publicado quinta-feira, 1 de março de 2007 as 12:31, por: cdb

A medida provisória (MP) que trata de transgênicos, aprovada nesta quarta-feira à noite, não traz melhoras para a segurança biológica para o país. A avaliação é do professor Flávio Bertin Gandara, da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq). O texto aprovado reduz o quórum para liberação comercial de organismos geneticamente modificados na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Proíbe o cultivo de transgênicos em terras indígenas e na maioria dos tipos de unidades de conservação (UCs), mas permite nas áreas de proteção ambiental (APAs) – um dos tipos de unidade de conservação – e na zona de amortecimento (faixa de proteção, cuja largura varia) das outras UCs. As mudanças ainda dependem da sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para virar lei.

– Essas alterações não contribuem para um avanço tecnológico e nem para um avanço em segurança ambiental para a saúde pública do Brasil – avaliou o professor, em entrevista a jornalistas.

Ele também criticou a redução de 18 para 14 votos para liberação pela CTNBio.

– Quando se faz uma liberação em termos biológicos, ela é para sempre. Uma vez que é liberado o plantio, e a entrada de novos organismos no ecossistema, eles não têm como ser retirados depois – afirmou.

O Decreto 5.950, que regulamenta a medida provisória, estabelece provisoriamente a distância mínima de 500 metros para a soja modificada e de 800 metros para o algodão modificado, em relação à unidade de conservação. No caso do algodão, a distância exigida passa para 5 quilômetros caso haja variedade silvestre da planta na unidade próxima. O decreto foi publicado em novembro, quando o governo enviou a MP ao Congresso. O professor destaca que essa distância pode ser menor e pode prejudicar aárea de conservação.

– A preocupação não é só com as áreas de conservação e sima contaminação com outras lavouras não transgênicas – complementa.

Flávio Bertin Gandara diz que a política do Brasil para a área “é muito incoerente”:

– Enquanto se têm órgãos e institutos de pesquisa atuando deforma séria e consciente sobre a vantagem das técnicas do uso dos transgênicos,outros setores do governo vêm trabalhando de uma forma para poder liberar o usoe ceder as pressões econômicas de grandes empresas – afirmou.

Ele afirma que aumentou o nível de informação sobre o assunto namídia, mas avalia que essa informação está confusa e pouco esclarecedora para a população.

– É preciso ter mais informações seguras para uma tomada de decisõesmais consciente – conclui.