Moscou lembra o Carandiru

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Publicado domingo, 27 de outubro de 2002 as 20:20, por: cdb

Se o numero de mortos de ex-refens libertados pelas forças russas continuarem a aumentar, a opinião pública poderá mudar. Hoje de manhã, o número de mortos já tinha subido para 118 e , segundo a imprensa russa, cerca de 150 refens não estão sendo localizados por seus parentes, o que começa a ser interpretado como um número adicional na lista de mortos. Fora isso, continuam hospitalizadas cerca de quinhentas pessoas. Afinal o que aconteceu no ataque ao comando checheno para libertar so refens, que parece lembrar o ataque ao motim do Carandiru em São Paulo?

Um dos soldados que participaram do ataque tem a resposta – as forças especiais deveriam ter lançado dez doses de gas paralizante, mas temendo uma reação dos terroristas, lançaram vinte doses. Neste caso, seria necessário o uso de mascaras contragases, pois o gas utilizado, arma químida da nova geração, é extremamente forte e não faz separação entre terroristas e refens. Na falta de mascaras, teria sido necessária uma evacuação imediata dos refens. Ora, se alguns refens conseguiram sair, logo depois da intervenção, a grande maioria desmaiou e sofreu os efeitos do gas, que paraliza o diafragma, impedindo a respiração, e pode provocar parada cardíaca sendo mortal para quem apresentar reaçõea alérgicas.

As forças russas deveriam ter providenciado primeiro ambulâncias e ônibus suficientes para evacuar os refens intoxicados, antes de atacarem os terroristas.

Fora isso, os parentes dos refens hospitalizados, uma grande parte, em reanimação e podendo morrer nas proximas horas, estão impedidos de entrar nos hospitais e não recebem nem apoio psicologico e nem notícias exatas sobre a situação das vítimas. Dois jornalistas russos, que estavam entre os refens, contam que os chechenos mataram realmente dois refens, antes do ataque das forças russas, pois esses refens tinham perdido o controle dos nervos e gritavam ou corriam na platéia. Na tentativa de matar um desses refens, os membros do comando erraram a pontaria e feriram dois outros refens.

Esses seriam os unicos feridos à bala, os restantes refens que morreram foram todos por asfixia ou paralisia causada pelo gas. Um médico russo afirmou que, como não se conhece o gas, não se sabe que tipo de sequelas poderão ter os refens. Em todo caso, ele infringiu uma ordem, pois o governo russo proibiu os médicos de darem qualquer informação sobre o gas. Para concluir, dificilmente se poderá perdoar Putin. Na verdade, ao que tudo indica, ele quis salvar seu prestígio, a pretexto de que ninguem colocaria a Russia de joelhos. Ele quis liquidar o comando checheno, sem avaliar as consequencias do uso de um gas venenoso e mortal sobre os refens. Uma maneira de tratar os refens russos tão violenta como a maneira como a Russia trata as populações chechenas.

Uma violencia constatada pela imprensa e pelas organizações de direitos humanos e causa do terrorismo checheno. Quando a situação é essa e se é refem, não se sabe se a morte será por explosão ou por gas letal.