Moscou e Pequim apelam pelo fim imediato da guerra

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Publicado quinta-feira, 20 de março de 2003 as 19:04, por: cdb

A China e a Rússia fizeram nesta quinta-feira o mais veemente apelo pelo fim imediato do ataque dos Estados Unidos e aliados ao Iraque e pediram a rápida retirada das forças norte-americanas do território iraquiano.

“A ação militar contra o Iraque viola as normas do comportamento internacional. Esperamos ver o fim imediato da ação militar e o retorno do caminho para uma solução política”, disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Kong Quan.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, condenou o uso da força contra o Iraque e exortou os EUA a interromperem suas operações. “De modo algum a ação militar pode ser justificada. A ação militar é um grande erro político”, declarou Putin, cujo país, ao lado de França, China e Alemanha, se opunha a uma nova resolução no Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), autorizando o uso da força.

“Lamentamos que o problema iraquiano esteja sendo resolvido pela via militar, sem decisões do Conselho de Segurança da ONU”, observou o primeiro-ministro russo, Mikhail Kasyanov.

Numa primeira reação, a Alemanha, por intemédio de seu ministro de Relações Exteriores, Joschka Fischer, questionou os motivos dos EUA para iniciarem o ataque.

No avião que o levou de volta de Nova York, onde participou na última quarta-feira de uma reunião do CS, Fischer comentou que a guerra era uma “amarga” derrota.

“A guerra é a pior de todas as soluções. Esperamos que as hostilidades cessem rapidamente e a população civil seja protegida. Tudo deve ser feito para evitar uma catástrofe humanitária”, disse Fischer.

Mais tarde, num pronunciamento televisionado para toda a Alemanha, o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, afirmou que o ataque era um erro e iria causar sofrimento para milhares de pessoas. Ele frisou que sua oposição ao conflito estava em conformidade com a opinião da maioria da população – em Berlim, uma manifestação pacifista reuniu nesta quinta-feira 50.000 pessoas – e da maioria dos países.

No grupo dos que apóiam o ataque, do qual tomam parte forças de Estados Unidos, Grã-Bretanha e Austrália, a Itália destacou o fracasso da diplomacia.

“Infelizmente, os esforços diplomáticos chegaram ao fim e o desarmamento forçado de Saddam Hussein é uma necessidade trágica”, afirmou o chanceler Franco Frattini.

Outro dirigente favorável à operação, o primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, reiterou seu aval. “O presidente (George W.) Bush disse que este não é um ataque ao povo do Iraque, mas para dar-lhe liberdade e uma vida próspera. Eu também penso assim e apóio a política de Bush.”

Um dos mais fortes aliados de Bush, o primeiro-ministro da Espanha, José María Aznar, disse que havia “opções mais confortáveis”. “Mas nós não queremos deixar para o futuro os riscos que deveríamos enfrentar em pessoa”, afirmou Aznar.

O presidente da Coréia do Sul, Roh Moo-hyun, reiterou num pronunciamento televisionado o apoio ao governo norte-americano na crise iraquiana.

Com a tensão crescendo em relação à questão nuclear na Coréia do Norte, Roh declarou que fará todos os esforços para que essa guerra não acabe prejudicando as relações com os norte-coreanos – que acusam os EUA de planejarem um ataque contra seu território.

O governo do Paquistão – aliado dos EUA, mas com uma população quase totalmente contra o ataque – deplorou o uso da força por Estados Unidos e Grã-Bretanha e ao mesmo tempo lamentou a atitude do presidente iraquiano, Saddam Hussein, por “não considerar todas as opções para salvar seu povo da morte e da destruição”.

A vizinha Índia destacou que “reconhece a validade do desejo internacional de remover as armas de destruição em massa do Iraque, mas frisou que a ação militar era ‘evitável’ e não se justifica se forem considerados os relatórios dos inspetores de armas da ONU”.

Mesmo o Irã, que travou com o Iraque uma guerra de oito anos na década de 80, qualificou a ação de “ilegítima” e “injustificável”, ressaltando que uma invasão para