Mortalidade infantil cai quase pela metade na última década

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 17 de dezembro de 2002 as 00:00, por: cdb

Entre 1990 e 2000, a proporção de mortes violentas de brasileiros adultos, do sexo masculino, aumentou de 16,5 por cento para 18,8 por cento do total de óbito e, no mesmo período, a mortalidade infantil de 11,2 por cento para seis por cento, de acordo com um relatório sobre Registro Civil divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A análise da mortalidade infantil, que leva em conta a morte de crianças menores de 1 ano de idade, mostra a região Norte com os maiores índices na década passada, segundo o IBGE – 18,6 por cento em 1990; 11,4 por cento em 2000; e 10,8 por cento em 2001.

A região, embora apresente a maior taxa de mortalidade infantil no país, aparece também como a que vem controlando mais esse fenômeno, registrando queda pela metade em uma década.

As regiões Sudeste e Sul aparecem com proporções de mortalidade infantil de cinco por cento, em 2000; e de 4,78 por cento e 4,58 por cento, respectivamente, em 2001.

Mortes violentas
As mortes de causas violentas entre as mulheres, segundo o documento, se mantiveram praticamente inalteradas, no patamar dos quatro por cento.

Nas regiões Norte e Nordeste houve um aumento significativo da proporção de mulheres que morreram por causas violentas, em torno de 17 por cento e de oito por cento, respectivamente, de 1990 a 2001.

Na região Centro-Oeste, a incidência é de sete por cento.

Ainda segundo o estudo, em 1990, cerca de 60 por cento dos óbitos masculinos ocorridos na faixa etária de 15 a 24 anos estavam relacionados a causas violentas.

O índice sobe para 70 por cento em 2000 – o que significa um aumento de 15 por cento na década – e cresce de forma generalizada nas regiões brasileiras, com destaque para o Sudeste, onde o total passa de 64 por cento em 1990 para 77,6 por cento em 2000, resultando numa variação de mais de 21 por cento.

A violência, nessa faixa etária mais jovem, começa a atingir de forma intensa também as mulheres, pois, durante o período considerado, tiveram aumentos importantes na proporção de óbitos relacionada a essa causa.

O levantamento do IBGE conclui que baseadas nas informações obtidas, observa-se uma tendência à generalização do fenômeno da violência, independentemente do sexo e da região, para essa faixa etária específica.

Queda na taxa de casamentos
No que se refere à taxa geral de casamentos registrados, o índice caiu gradualmente durante a década, passando de oito por mil habitantes em 1990 para 5,7 por mil, em 2001, ainda de acordo com o relatório do IBGE.

Essa tendência de queda foi observada principalmente no Sudeste e no Sul.

O ano de 1999 foi uma exceção: apresentou o maior número absoluto de casamentos da década (788 mil) e teve aumento nas taxas em todas as regiões.

Isso se deveu, em parte, a várias cerimônias coletivas de uniões legais, sobretudo nas regiões Nordeste e Centro-Oeste.

Os dados do Registro Civil revelam que as mulheres se casam mais cedo do que os homens, embora a média de idade ao casar tenha aumentado, para ambos os sexos.

A idade média dos homens ao casar aumentou de 26,9 anos, em 1990, para 29,3 anos, em 2000. A das mulheres aumentou de 23,5 anos, em 1990, para 25,7 anos, em 2000.

Também foi constatado que houve um aumento na proporção de casamentos entre pessoas com mais de 60 anos – em 1990, 1,3 em cada mil habitantes nessa faixa etária se casou; em 2000, a taxa passou para 2,3.