Morreu Cláudio Torres, herói do MR8

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Publicado terça-feira, 24 de março de 2015 as 19:45, por: cdb
Morreu Cláudio Torres que participou do sequestro do embaixador americano, em 1969, em plena ditadura militar
Morreu Cláudio Torres que participou do sequestro do embaixador americano, em 1969, em plena ditadura militar

Morreu Cláudio Torres da Silva, guerrilheiro que em 1969 participou do sequestro do embaixador dos Estados Unidos. Naquele mesmo ano Torres foi preso e padeceu com a barbárie da tortura institucionalizada pela ditadura. Ficou sete anos em cana.

O corpo do gaúcho nascido há 70 anos foi encontrado ontem em São Paulo. É provável que Torres tenha morrido por causa de acidente vascular cerebral _ele já havia sofrido dois.

O velório começou na manhã desta terça-feira. Às 13h, haverá uma cerimônia de despedida, antes da cremação, no Cemitério Memorial Parque Paulista, no município de Embu das Artes.

O sequestro do embaixaodr americano permitiu a liberdade para 15 resistentes, presos pela ditadura militar
O sequestro do embaixaodr americano permitiu a liberdade para 15 resistentes, presos pela ditadura militar

O embaixador Charles Burke Elbrick foi raptado no Rio no começo da tarde de 4 de setembro de 1969.

No Cadillac em que ele e seu motorista se dirigiam para a embaixada, entraram quatro militantes da oposição armada: Virgílio Gomes da Silva, Manoel Cyrillo de Oliveira Neto, Paulo de Tarso Venceslau e, ao volante, o ex-líder estudantil Cláudio Torres.

Virgílio, Cyrillo e Venceslau militavam na Ação Libertadora Nacional. Cláudio, na organização que a partir de então se rebatizou como Movimento Revolucionário 8 de Outubro, o MR-8.

O embaixador foi devolvido são e salvo, três dias mais tarde.

Em troca da sua libertação, os guerrilheiros obtiveram a soltura de quinze presos políticos, que partiram para o exterior.

E também lograram a divulgação pelos meios de comunicação de um manifesto denunciando a censura e a violência da ditadura.

O sequestro de Elbrick foi a ação mais espetacular da guerrilha urbana que atuou no Brasil entre o fim da década de 1960 e o princípio da de 1970.

Mário Magalhães, nasceu no Rio em 1964. Formou-se em jornalismo na UFRJ. Trabalhou nos jornais “Folha de S. Paulo”, “O Estado de S. Paulo”, “O Globo” e “Tribuna da Imprensa”. Recebeu mais de 20 prêmios. É autor da biografia “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo”.

Direto da Redação é um fórum de debates com jornalistas de opiniões diversas, editado pelo jornalista Rui Martins