Morre, aos 74 anos, Aureliano Chaves

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Publicado quarta-feira, 30 de abril de 2003 as 14:07, por: cdb

Morreu nesta terça-feira, em Belo Horizonte, o político mineiro Aureliano Chaves. Vice-presidente da República entre 1979 e 1984, durante o governo do general João Baptista de Figueiredo, Aureliano tinha 74 anos. Ele estava internado desde o último dia 14, no hospital Socor, na capital mineira, onde tentava se recuperar de uma cirurgia na perna esquerda, realizada com o objetivo de corrigir problemas circulatórios.

O corpo do ex-vice-presidente foi velado ainda na tarde de terça, no Palácio da Liberdade. Nesta quarta-feira, o corpo seguirá para Três Pontas, onde permanece por algumas horas. Em seguida, vai para Itajubá, onde será seputado ao lado de dona Vivi, sua mulher.

Nascido em 13 de janeiro de 1929, na cidade mineira de Três Pontas, Antônio Aureliano Chaves de Mendonça iniciou sua carreira política em 1958, elegendo-se suplente de deputado estadual pela UDN. Em 61 foi efetivado na vaga de Gil Vilela. Permaneceu pouco tempo no Legislativo, pois teve que renunciar ao cargo em 62 para ocupar um posto na diretoria da Eletrobrás.

Somente na legistalura seguinte conseguiu se eleger deputado estadual, integrando a linha ortodoxa da UDN, conhecida como “Banda de Música”, da qual faziam parte, entre outros, Carlos Lacerda, Pedro Aleixo e Afonso Arinos.

Em 64, assumiu a secretaria de Educação de Minas Gerais, no governo de José Magalhães Pinto, e foi um dos articuladores do movimento que derrubou o governo de João Goulart. Com o fim dos partidos, em função da promulgação do AI 2 (Ato Institucional número 2), Aureliano Chaves filiou-se à Arena e se elegeu deputado federal em 66.

Em 1968, votou contra a o pedido do Governo para processar o então deputado Márcio Moreira Alves, que havia feito em plenário um discurso considerado profundamente ofensivo às Forças Armadas. O episódio precipitou a edição do AI5

Em 1970, reelegeu-se deputado federal e, em fins de 74, foi nomeado governador de Minas Gerais pelo presidente Ernesto Geisel, provocando o afastamento de Magalhães Pinto, então senador.

Quando o então ministro do Exército, Sílvio Frota, foi demitido ao tentar forçar sua própria candidatura à Presidência da República, Aureliano manteve-se ao lado do presidente Geisel, o que lhe valeu o apelido de “Trator” junto aos setores leais ao governo. Por seu apoio, foi escolhido vice-presidente do general João Baptista de Figueiredo no ano seguinte.

O maior período em que ocupou a Presidência foi de 49 dias, em 1981, quando Figueiredo sofreu um enfarte. Como interino, tomou decisões controvertidas, quando por exemplo, recusou-se a assinar o ato de expulsão dos padres franceses Aristides Camio e François Gouriou, irritando a ala mais radical das Forças Armadas. Os padres defendiam a ocupação de terras pelos posseiros em São Geraldo do Araguaia, no Pará. Os padres não foram expulsos, mas tiveram que cumprir pena de dois anos.

Com a abertura política, filiou-se ao Partido Democrático Social. Em 1984, foi um dos articuladores da derrubada da emenda das Diretas-Já.

Fracassadas as tentativas de seu grupo político de fazê-lo sucessor do presidente João Figueiredo, Aureliano partiu para a composição da Frente Liberal com o ex-presidente José Sarney e Marco Maciel, líderes dissidentes do PDS. Esse movimento culminou na formação da Aliança Democrática e na viabilizização da eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral.

O apoio a Tancredo rendeu-lhe o cargo de ministro das Minas e Energia, onde permaneceu de 85 a 88. No ano seguinte, na primeira eleição direta à Presidência da República, foi o candidato do PFL, mas boa parte do partido aderiu à candidatura vitoriosa de Fernando Collor de Mello.

Na campanha eleitoral do ano passado, Aureliano apoiou a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva e chegou a assessorar o atual presidente na aproximação com setores militares.

Aureliano Chaves, filho do dentista José Vieira de Mendonça e de Luzia Chaves de Mendonça, foi casado com Minervina Sanches de Mendonça, com qu